Capítulo 23

A vovó ficou sabendo do que rolou desde a briga com o Thiago, a festa, tudo o que fiz, e a quase briga com o Thiago no colégio. Dona Dalva também, então resolveu levar o Thiago pra conversarmos novamente lá em casa. 
Quando ele chegou, nem olhou pra mim. O clima ficou tão estranho que essa conversa com certeza não vai dar certo como elas querem. 

- O Thiago não queria vir. Achou desnecessário. 
- Eu também achei desnecessário. Não é por nada não, mas a gente terminou e acho que não tem mais volta, sabe? 
- Era tudo o que ela queria – Thiago disse ríspido. 
- Por favor, Thiago para com isso! – gritei. 
- O que conversamos hoje? Parece que falei grego! Malu, eu não sei o que está acontecendo com o Thiago, ele não é assim. Nunca tratou nenhuma garota dessa maneira e nunca falou esses tipos de coisa pra ninguém. 
- Falei somente a verdade. O que com certeza todos queriam dizer. 
- Não vai dar certo. Eu vou subir – falei com lágrimas nos olhos. 
Malu, espera... Thiago! Para! A Maria Luísa não merece ouvir isso! Nenhuma garota merece! 
- Desculpa Dona Tereza – Thiago disse seco. 
- Tem que pedir desculpas pra Malu. 
- Eu tenho? Fui vítima nessa história! A senhora sabe o que ela fez?! 
- Sei. Foi errado, mas você também. Os dois erraram! Você não deveria dizer aquilo e ela não deveria ter feito! – vovó disse em alto e bom som. 
- Mas ela deveria pensar bem no que fez. Eu estava de cabeça quente e não pensei na hora! Estava nervoso! 
- Eu também não pensei. Só queria mostrar que não sou idiota. 
- Mostrou? Parece que não... – me levantei nervosa, queria dar um murro naquele garoto, mas me contive, subi as escadas correndo e bati a porta do meu quarto. 

Dona Dalva foi até o meu quarto conversar comigo. Pediu desculpas pelo Thiago e disse que ele estava muito chateado, mas que isso tudo ia passar. 

- Eu espero Dalva... 
- Ele te ama muito, querida, mas de fato os ciúmes do Thiago o deixam desse jeito. Ele é muito ciumento. 
- Eu sei. Mas não teve necessidades pra isso tudo. A senhora sabe o que aconteceu, e não foi nada para fazer todo esse auê. Espero que tudo se resolva. 
- Eu vou descer e levá-lo pra casa – beijou minha testa e saiu. Continuei deitada na minha cama e cochilei. 

Gustavo ia embora de manhã. O Thiago não quis se despedir dele pra não ter que olhar na minha cara, então telefonou e fez a despedida por lá. Conversaram tanto, que fiquei curiosa, o Gustavo não quis deixar ao viva voz. 
Hoje pela manhã, antes do Gustavo sair, nós ficamos. Ele tinha prometido pra si mesmo que ia tentar esquecer que nós ficamos, mas eu sou muito boa. 

***


Fui até a casa de Isabela passar o dia com ela, comendo brigadeiro e vendo filmes românticos. Terminou com o namorado de São Paulo e estava muito mal. 
Encontrei o Lucas na porta da casa dele com uma garota. Eles estavam conversando e rindo muito, não gostei. 

Malu! – Lucas gritou enquanto eu estava abrindo o portão da casa da Isabela para entrar. 
- Oi! – sorri fraco e ele veio junto com sua amiga. 
- Sumiu. 
- Venho sempre aqui e você não está. Como sempre festeiro. 
Isabela me contou da sua briga feia com o Thiago... Pelo visto não estão bem... 
- É. Mas tudo vai se acertar, eu espero – sorri. 
- Quer voltar com ele ainda? 
- Não digo voltar... Ainda. Mas quero a amizade dele. 
- Entendo. Ah! Essa é a Clara! Uma amiga – cumprimentei a Clara, que veio cheia de sorrisos pra mim. 
- Amiga? Conta outra! – ri fraco. 
- Você pensa que é o que? 
- Namorada? 
- Não! 
- Sério? 
Malu, eu sou amiga do Lucas. Tenho namorado, ele mora aqui – Clara sorriu – Aliás, vou logo a casa dele. Podem conversar à vontade. 

***


O ano passa tão rápido, que já estamos na metade dele. Junho chegou com as férias e o São João. Hoje era o último dia de aula antes das férias. No intervalo, o Leonardo me chamou para ficar conversando com ele e os meninos, incluindo Thiago. Mas não queria falar com ele.

- Eu não mordo Malu – Thiago disse. 
- Não tenho medo de você. Só que vou ficar com as meninas. 
- Você sabe que todos somos amigos. Nos separamos por causa de você e o Thiago – Leonardo disse. 
- Eu sei. Mas não quero ok? Não insiste, se quiser a gente pode conversar outro dia. Sem ele – olhei para o Thiago. 
- Ah! Confirmou que não vem por causa de mim. 
- Não ligo pra você Thiago. Vou voltar pra mesa, tchau meninos. 
- Vocês deveriam conversar e tentar ficar na amizade – Leonardo disse. 
- Ele não quer que isso aconteça. 
- Tem certeza? – Thiago rebateu. 
- Absoluta. 
- Você ama a Malu, Thiago! Larga com o orgulho! – Thiago ficou calado e eu também, mas acabei sorrindo sem querer – Que fofo! 
- Não é o que está pensando. Fiquei demais. 

Do nada, veio um sorriso em meu rosto. Que ódio! 
Deixei os meninos rindo de mim e fui ficar com as minhas amigas. A Carol disse pras meninas que andavam com ela que eu a Camila viramos amigas dela. Então todas nós andamos juntas no intervalo com os meninos, mas depois do meu término com o Thiago, os meninos de um lado, meninas do outro. Quando cheguei perto delas, me perguntaram logo por que eu demorei tanto com o Léo, Patrick e o Thiago. 

Thiago é um saco! E o Leonardo um insistente. Acabei sorrindo quando ele disse que o Thiago me amava, sem querer. 
- Ah amiga! Que fofo! Vocês têm que voltar! – Carol disse. 
- Não... A gente tem que conversar, a gente tem que ser amigos primeiro. Eu acho. 
- Não precisa começar tudo de novo, Malu. É só conversarem e se acertarem... Aí tudo volta ao normal com vocês. 

No fim da aula, o Thiago me chamou pra conversar. 

- Não quero conversar contigo. 
Malu, é sério. Conversei com o Leonardo e o Patrick mais cedo e eles me deram uns toques. Aí a Camila me mandou uma mensagem pelo celular me xingando e eu pensei... 
- Estava errado? 
- Mais ou menos. Você também errou! – exaltou-se. 
- Calma, pequeno gafanhoto – ri – Eu sei que errei, claro. Digo, você estava errado em ter dito aquelas coisas pra mim... 
- Sim. Me perdoa. Quer dizer, vamos andando? A gente pode conversar em outro lugar? Menos na sorveteria – riu fraco. 
- Qual o problema de lá? 
- Ah Malu, você sabe! O JP vive lá! 
- Eu sei. Seus pais são donos. Enfim, estou esperando a Camila... Esqueceu? Vamos juntos pra casa. Quer dizer... Íamos. Agora só eu e ela. 
- Já mandei a Camila pastar – riu – Aliás, a gente conversa no caminho até sua casa e mais tarde, você quer ir pra minha? A gente conversa por lá. 
- Ahm... Pode ser – sorri. 

Conversamos no caminho sobre nós e decidimos começar do zero. Quer dizer, vamos conversar mais quando eu for até sua casa e vamos ficar só na amizade. Como eu tinha dito. Ao chegar em casa, não nos abraçamos, somente um “tchau e até mais tarde”. 
A tarde passou voando e o Thiago chegou para me buscar em casa. Nos despedimos da vovó e entramos no carro do seu pai. Eu já contei que ele sabe dirigir? Pois é. Foi todo cavalheiro comigo e seguimos até a sua casa. Estava tão nervosa que não sabia o que dizer e preferi ficar calada. Era como se nunca tivéssemos tido nada, era como se fosse a primeira vez de tudo, como se aquela briga, tudo de ruim que tivemos, tivesse sido apagado. 
Era um jantar! Pra mim! 

- Você está maravilhosa! – Marcos disse. 
- Obrigada – sorri e o Thiago me levou até a mesa. 

Comemos com seus pais em uma conversa totalmente diferente. Não falamos sobre nós dois, e sim sobre outros assuntos. Música, televisão, famosos... Foi engraçado. Seus pais saíram e nos deixaram a sós, o silencio reinou naquela enorme casa. 

- Você é tímida ou é só comigo? – Thiago disse me fazendo rir. Foi a primeira coisa que disse pra ele quando nos conhecemos lá em casa. 
- Essa frase é minha! – ri. 
- Ela é boa pra quebrar o gelo – rimos – Ahm... A minha mãe quem inventou esse jantar. A gente só ia conversar mesmo, mas ela insistiu em fazer algo mais romântico. Disse que conhece as mulheres como ninguém – riu. 
- Claro! Ela é uma – ri – E estava certíssima. O jantar foi ótimo e estava uma delícia. Agora vamos conversar... 
- Tudo o que falamos no caminho do colégio pra casa foi o suficiente. Mas eu queria que me perdoasse, a gente pode começar com a amizade. Eu acho que voltando como era antes, a gente pode voltar a namorar. Se quiser. 
- Isso é o que eu disse pras meninas. Elas queriam que assim que perdoássemos um ao outro, já voltássemos a namorar. 
- O que não é uma má ideia – rimos – Mas já que somos amigos, vou me controlar para não tentar nada contigo. Você está linda hoje. Aliás, você é linda – deu aquele sorriso que faz qualquer pessoa desmanchar de amores. 
- Tentar o que comigo? 
- Coisas que amigos não fazem... 
- O quê, por exemplo? 
- Você sabe – riu sem graça. 
- Amigos fazem tudo... Então ao tem nada que você precise se controlar. A gente só não pode brigar - ri. 
- Fazem tudo? 
- Sim, até se beijam. Nunca viu? 
- Você adora provocar... – Thiago disse rindo baixo – Mas por que amigos podem se beijar? 
- Nem todos os amigos, claro. Só os que já namoraram e estão com saudades... – ri baixo. 
- Então acho que estou entre esses amigos, certo? 
- Pois é. A gente pode se beijar, mas eu quero a sobremesa – ri e o Thiago bufou. Armei tudo e depois inventei uma desculpinha. 
- Isso tudo foi pra me fazer ficar na vontade? 
- Talvez – sorri. 
- Não vou insistir. Vamos começar numa boa... 

Fomos comer a sobremesa e depois decidimos jogar um videogame. O tempo passou tão rápido enquanto jogávamos e rimos, por que eu sempre perdia, que os seus pais chegaram e ele teve que me levar. Já era meia noite. 

- Obrigado por hoje. Não imaginei que isso fosse acontecer, de verdade. Achei que nunca mais fossemos nos falar – Thiago disse com um sorriso encantador. 
- Eu também... Amei hoje e quero repetir mais vezes. 
- Sim... Mas a próxima vez é com um toque a mais. 
- Ah, claro. Um toque a mais... – ri baixo – Enfim, vou entrar. Não tem ninguém por aqui e é perigoso ficar dentro do carro essa hora. 

Quando estava saindo do carro ele me puxou, fazendo ficar colada em seu corpo, sem nenhum espaço sobrando. Nossas bocas estavam tão juntas à espera de um beijo muito gostoso, mas eu tive que parar. 

- Por favor, Thiago... – sussurrei. 
- Sei que você quer... 
- Qual foi o combinado? 
- Não houve combinado nenhum. Aliás, você disse que amigos que já namoraram podem se beijar... – sorriu. 
- Não me lembro disso – ri baixo. 
- Só um beijo, vai... – como estávamos daquele jeito, com as bocas querendo matar a saudade, ele me beijou. Ficamos um tempão nos beijando e matando um pouco a saudade com as carícias, mas eu parei o beijo. 

- Acho que chega... – disse ofegante – A gente se vê amanhã no colégio. 
- Amanhã é sábado – riu. 
- Não quer me ver amanhã mesmo assim? 
- A gente se vê amanhã então, pequena – sorriu. 
- Pequena... – ri fraco – Vou dormir bem melhor hoje. 

Assim que abrir a porta do carro ele disse que me amava e seguiu. 
Tinha deixado o meu celular desligado e assim que deitei para dormir, havia uma mensagem do Lucas me chamando para vê-lo amanhã. Lembrei que prometi isso. 

***


Uma semana se passou e eu e o Thiago ainda éramos amigos, assim como eu e o Lucas. 
Os pais do Thiago iam viajar para o Rio de Janeiro no fim de semana que vem, quando começassem as férias de São João e o Thiago insistiu que eu fosse com ele. 
A última semana das provas acabou e nós demos um oi para as férias. Aceitei viajar com o Thiago mesmo amigos e peguei o dinheiro para entregá-lo da passagem. 

- Hey, passo aí hoje para lhe entregar o dinheiro da passagem, ok?
- Que passagem? A sua já está comprada.
- Mas... Thiago! Assim não vale! – ri.
- Claro que vale! A gente viaja depois de amanhã, as passagens já estão compradas.
- Eu não posso aceitar. Quero pagar. Já basta a viagem de Salvador.
- Então você não vai. Minha mãe vende num segundo a sua passagem – riu.
- Você é chato! – ri – Eu vou... Insiste tanto em minha presença...
- Claro que insisto. Sem você o Rio não vai ser perfeito. Pegue esse dinheiro para comprar o que quiser por lá.
- Okay. Ei, o Gustavo está me ligando. Vou atender... A gente se fala mais tarde.
- Vai me trocar pelo Gustavo? – riu baixo – Estou brincando, Malu. Nos falamos mais tarde...


Era só um fim de semana no Rio, mas estava ansiosa que hoje mal dormi. Eu amo viajar, e como nunca tinha conhecido o Rio de Janeiro, não via a hora de pisar os pés na Cidade Maravilhosa. 
No hotel, o pai do Thiago só pediu três quartos, um pra eles, um pra Dona Dalva e outro pra mim e pro Thiago, juntos. Eu reclamei, mesmo adorando, e a recepcionista disse que nossa cama não é de casal e sim duas de solteiro. 

- Acha que vou te morder? – Thiago perguntou rindo. 
- Acho – ri. 

Mais uma vez o pai do Thiago alugou um carro e passamos o dia conhecendo os melhores pontos da cidade. 

- Curtiram o passeio? – Sonia perguntou já no hotel, era noite e íamos dormir. 
- A coisa mais linda que já vi! – Dalva disse. 
- Concordo. Mais bonito do que São Paulo. 
- È – Thiago disse. 
- Só isso que você tem a dizer, Thiago? – Marcos disse. 
- Também gostei pai... – Thiago disse seco. 

Fomos jantar em um restaurante muito lindo e conhecido no Rio. Estava rolando um som ao vivo e ficamos lá até tarde, foi divertido. Cantamos muito e até bebemos um pouquinho, mas bem pouco, e somente eu, Sonia, e o Thiago que pôde beber. O pai dele ia dirigir, então só bebeu um chope. Dona Dalva ficou no refrigerante, mas eu acompanhei também, só bebi uma batida bem forte e o Thiago continuou bebendo, mas como sei que ele não é bom para bebidas, vai começar a falar besteira. 

- Sabia que a Malu quando bebe, ama me provocar? – Thiago disse rindo. 
Thiago! – Dona Dalva o repreendeu. 
- A verdade, vovó. A verdade... 
- Você também faz isso, Thiago. 
- Faço por que você faz! 
- Não vamos começar a brigar por isso, não é? 
- Aliás, quando você não bebe também me provoca. Com o Lucas. 
- Isso é mentira! – dessa vez eu aumentei o tom de voz. 
- Mentira? – riu – E quantas vezes vocês ficaram com a gente namorando? Quantas vezes eu levei um corno?! 
Thiago, para com isso! – Marcos pediu, mas o seu tom de voz estava aumentando. Estava com vergonha daquilo tudo. O restaurante estava cheio. 
- Acho que ele bebeu o suficiente... Vamos embora? Uma da manhã. Acho que já deu mesmo. 
- Eu to bem, gente. Qual é! 

Thiago passou o caminho inteiro reclamando. Eu passei o caminho inteiro calada. Seu pai dirigindo e brigando com o Thiago. Sua mãe, o mandando parar de brigar. Dona Dalva fazia o mesmo com o filho, até que ele parou de reclamar do Thiago, mas já tínhamos chegado ao hotel. 

- Pode deixar comigo. Vou cuidar dele agora – disse sorrindo sem graça. 
- Qualquer coisa me chama. Estarei no quarto ao lado. – Dona Dalva disse. 
- Pode nos chamar também – Sonia disse. 
- Obrigada, mas já cuidei dele uma vez assim. Já estou craque no assunto – ri fraco e cada um, entrou em seus respectivos quartos. OThiago estava na cama, como o seu pai havia colocado. Dormindo. O acordei e levei com muito sufoco, até o banheiro e liguei o chuveiro. Fui tirando sua roupa aos poucos e consegui acordá-lo – Thiago, tudo bem? 
- Minha cabeça dói pra caramba! – ele disse passando a mão no local. 
- Você não aguenta beber. Sabe disso e continua! 
- Não bebi muito. 
- Imagina Thiago... Sabe quantas tomou? Umas cinco! E elas estavam fortes! 

Terminei de dar o banho do Thiago e o deitei na cama. Como ele reclamava da dor de cabeça, peguei um remédio e o coloquei para dormir. 

- Você sempre cuida de mim... Obrigada – sorriu sem graça. 
- Sem problemas. Eu conheço você muito bem. 
- Desculpa pelo que disse. Estava bêbado, mas lembro perfeitamente. 
- Tudo bem – sorri – Fiquei surpresa, não imaginava que você ia soltar isso na frente da sua família, mas ainda bem que eles não me recriminaram. 
- Por que eles não sabem de toda a história. Quer dizer, só a vovó. Mas me desculpa mesmo assim. Foi a verdade, mas não deveria ter sido dita naquele momento. 
- Tudo bem. Vamos dormir? Amanhã a gente conversa. Vou pra minha cama. 
Malu... Dorme comigo hoje. Não estou bem. – me puxou quando eu levantava. 
- Somos amigos. 
- Por favor... 
- Não Thiago. Não insiste. 
- Você está chateada. 
- Fica tranquilo, está tudo bem... Vai dormir. Eu vou tomar banho, não posso dormir assim, toda molhada. 
- Desculpa. 

Não respondi e fui tomar banho. Não demorei muito e quando saí o Thiago já estava dormindo. Coloquei a coberta em seu corpo e deitei em minha cama. Acordamos bem tarde, os pais do Thiago já tinham ligado várias vezes. 

- Nós saímos e deixamos vocês dormindo. Mas o clima está tão lindo, que viemos buscar vocês! – Sonia disse sorrindo. Ela estava linda! 
- Já estamos prontos. 
- E você Thiago. Melhorou? – Marcos perguntou. 
- Acordei numa ressaca básica, mas estou melhor. Comi uma besteirinha pra passar. 
- Vamos, deixamos o carro do lado de fora. 

Hoje era nosso ultimo dia no Rio. Foi somente um final de semana e que final de semana! Apesar de o Thiago ter bebido, foi muito divertido conhecer o Rio. Passamos a manhã visitando alguns lugares do Rio e a noite, ficamos em um parque perto do hotel. Estava rolando um sonzinho também. 

- Ei, a gente tem que conversar – Thiago disse enquanto estávamos num parque, sentados naquelas cadeirinhas tomando água de coco. 
- Tem que ser agora? Eu amo essa música! “Hoje eu só quero que o dia termine bem...” – cantarolava fazendo o Thiago rir. 
- Você nem gosta de pagode! – riu. 
- Quem te disse que isso é pagode? Isso é cultura! – ri – Brincadeira, é que a letra dessa música é muito linda... Enfim, vamos conversar. 
- Estou no Rio de Janeiro com a pessoa que mais amo e ainda dormindo no mesmo quarto que ela e não posso tocá-la, beijá-la... Isso me deixa louco! – riu baixo. 
- E ela não quer voltar com você? 
- Disse que não. Temos que recomeçar. Mas não vale a pena isso. Recomeçar pra quê? 
- Talvez ela queira um tempo pra pensar se vale a pena mesmo voltar. 
- Não me vejo sem ela. É a coisa que mais amo nesse mundo, depois da minha avó, foi a pessoa que mais cuidou de mim, mais me amou... 
- Ela também deve achar isso de você. 
- Tenho certeza que não. Mas quero voltar com ela. 
- Pode ter certeza que você é muito importante pra ela. E sim, ela volta com você. MAS... 
- Agora a conversa melhorou – riu – Vamos parar de falar em terceira pessoa. MAS o que? 
- Mas você promete que para de implicância? 
- Implicância com o que? 
- Com os meus amigos? 
- Não posso prometer isso, Malu. É... Você sabe às vezes eu perco o controle. Posso prometer que me controlo mais. 
- Só vou voltar contigo, por que te amo. E quero fechar com chave de ouro essa viagem – ri – Mas controla o ciúme. Só isso. 
- Prometo. Faço tudo por você, pequena – cruzou os dedos. 

Sorri e passei meu dedo em sua boca. Ele dava umas mordidinhas de leve em meu dedo o que me fazia ficar arrepiada. Depois desse carinho todo ele me puxou pela cintura e me beijou. O beijo estava ficando cada vez mais intenso, mas tivemos que parar, pois os seus pais chegaram com a Dona Dalva batendo palmas. 

- Voltaram! – Sonia disse dando pulinhos. Tive que rir. 
- E agora as camas de solteiro? – Marcos riu. 
- A gente junta... – Thiago disse rindo. Pela primeira vez o vi rindo para o pai. 
- Vai dar meia noite, nós temos que ir para dormir cedo. Amanhã cinco horas vamos embarcar para o Centro. Vocês estão de férias, mas nós não. Temos trabalho ás dez então vamos sair cedo para descansar um pouco. 

No quarto, o Thiago juntou as camas e nós fomos tomar banho. Enterrei minhas mãos nos seus cabelos, e beijei-o. Nossas línguas se entrelaçavam numa dança envolvente e sensual. Era como se ao tocar nos lábios dele, todo o mundo perdesse o sentido para mim, era como se fosse somente ele e eu. Mordisquei o lábio inferior dele e pude vê-lo sorrir entre as mordiscadas. Suas mãos desceram até minha cintura e pressionaram com firmeza e fogo o local. Só paramos de nos beijar quando o ar foi necessário aos nossos pulmões. Tomamos o banho normalmente e fomos para a cama. Nem trocamos de roupa. Fechamos tudo e desligamos as luzes. Ele me beijou carinhosamente, um beijo calmo, doce, delicado. Podia sentir suas mãos passeando pelos meus cabelos. Me segurava de uma maneira que eu me sentia completamente segura. Ficamos naquele beijo por bastante tempo. Distribuí mordidas leves por sua orelha e senti o corpo dele se arrepiar por completo, fez movimentos leves por entre minhas coxas, soltei um suspiro alto ao senti-lo movimentar seus dedos por minha região sensível. Depois de vários carícias e beijos molhados, a melhor parte. E então eu senti. Senti novamente aquela sensação que só ele me proporcionava, com seu toque, com seu beijo, com suas palavras ao pé do ouvido... Joguei minha cabeça para trás no instante em que cheguei ao clímax e depois me agarrei ao corpo dele, espalmando minhas mãos por suas costas nuas. 
Estávamos com certeza com muita saudade disso. Depois de várias carícias ficamos abraçados e pegamos no sono. 
O despertador tocou ás três e meia da manhã, o Thiago me levantou já pronto e eu me arrumei. Não podíamos demorar. As quatro em ponto, fomos para o aeroporto e esperamos o vôo. 

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