Capítulo 22

Tenho muito medo das clinicas clandestinas. Até por que aborto é crime e eu não queria ajudar a Carol nisso. Chegamos e ela fez todos os procedimentos, que duraram horas e depois teve que ficar mais um dia de repouso por lá. Os pais ficaram lá e nos fomos para casa.

- Nem pudemos ver como ela está... – Camila disse.
- Amanhã ela telefona e nós vamos a casa dela. Será que ela já pode ir ao colégio?
- Creio que sim.

O mês de março passou voando e nós já estávamos na páscoa. Passei meu aniversário de dezessete anos em casa, com um almoço que a vovó fez no fim de semana. Tive sorte que meu aniversário caiu num sábado. A Isabela não estava em casa, tinha viajado com os pais e não pôde ir. Como sempre... Nunca foi me visitar, mas não vou brigar por isso.
Abril é o mês mais legal por causa da páscoa. Em duas semanas, todos os ovos e chocolates que ganhei, já tinham acabado. Mas o Gustavo ainda tinha, então dividiu comigo.
Hoje encontrei o JP na sorveteria. Ele estava conversando com uma menina muito bonita. Da última vez em que nos vimos, acho que ele não tinha nenhuma namorada. Como sou educada, decidi ir até lá para falar com ele, já que faz um tempinho que a gente não se fala.

- Como sempre na sorveteria... Não vai me contar o segredo de gostar tanto daqui? – ri e o abracei. A tal menina me olhava torto.
- Um dia você vai ficar sabendo! Mas o fato é que os sorvetes daqui são muito bons e quem faz mais ainda – rimos alto. Menos a menina. JP percebeu e desconversou – Ahm... E o seu namorado, como está?
- Tudo ótimo! Passou um tempinho ainda se recuperando aqui da cirurgia que fez, mas agora melhorou.
- Que bom – sorriu – Ah, deixa eu lhe apresentar! Essa é Luana, uma amiga.
- Ah... Amiga – ri – Oi Luana! – sorri. Ela não fez questão nenhuma de levantar pra falar comigo. Deu um tchau de longe super sem graça.
- Então, o que faz aqui perto? – JP perguntou.
- Vou comprar pão. Esse é meu caminho toda tarde... A vovó deixou o Gustavo vim agora, mas ele começou um estágio esse horário, agora voltei a comprar pão – ri.
- Então vai me ver sempre! Sinto falta de tomar sorvete com você.
- Só de tomar sorvete? Não sente falta de, hum... Mais nada?
- De ir ao cinema também – rimos.

Percebi que a sua amiga não estava gostando de me ter por perto, então me despedi do JP e deixei os dois a sós. Fui pra casa e conversei um pouco com a minha avó e contei ao Gustavo que o JP passaria por aqui pra poder conversar com ele. Ou comigo. Ou com os dois.
Passei a tarde com o Thiago no telefone, mas o JP tinha interfonado e tive que desligar. O Thiago ficou furioso comigo e nem me deixou terminar de explicar por que estava desligando.

- Cumpriu a promessa! Veio mesmo. – sorri.
- Sempre cumpro tudo. E ai, cadê o Gustavo?
- Gustavo está no quarto. E aquela amiga que estava com você hoje na sorveteria... Era só amiga? Ela parece que não foi muito com a minha cara – ri fraco.
- A Luana é uma garota legal. Conheci no colégio e ai... Estou querendo...
- Ficar com ela? Sei...
- Pode ser – riu – É que ela foi a primeira a falar comigo no colégio novo, então eu quero pegar amizade.
- Se mudou?
- Outro bairro... Mas você pode me ver sempre que quiser, a partir das três horas, de domingo a domingo, na sorveteria – riu alto.
- Você trabalha lá?
- Meus pais são donos. Da sorveteria, dos sorvetes, da marca...
- Que legal! Por isso que você disse aquilo... “Os sorvetes daqui são muito bons e quem faz mais ainda...” – ri alto.
- Com certeza! Eu faço alguns, quando meus pais me deixam ajudar o pessoal na fábrica.
- Fábrica?
- Toda marca tem uma fábrica, onde fazem os produtos. Meus pais estão loucos para crescer com a marca e ter filiais em todo o mundo – rimos.
- Parceiro! Sumiu! – Gustavo disse cumprimentando estranhamente o JP.

Conversamos e rimos muito que eu decidi deixar o Gustavo e o JP conversarem. Fui até a casa do Thiago, pois lembrei que o deixei furioso na ultima vez em que nos falamos. Não deve ter sido nada demais, só ciúme bobo. Fiquei esperando no balanço e ele apareceu com uma cara...

- Nossa! Por que essa cara? – perguntei.
- Essa é a única que tenho.
- Então por que esse mau humor? Essa ignorância? Meia hora atrás estava ao telefone e quando o JP chegou, disse que ia desligar e você começou a ficar estressado.
- Ah! Veio aqui pra falar do JP?
- Vim para perguntar por que você ficou furioso comigo.
- Simplesmente desliga o telefone pra ficar com o JP! Bem legal... Mas passou.
- Não desliguei. Foi você! Eu disse que o JP tinha chegado e que a gente se falava depois!
- Esquece Maria Luísa! Fim, acabou, chega...
- É? Então vou embora – Saí e ele não falou nada. Fiquei parada na frente do portão de costas, esperando que ele falasse algo, mas foi sem sucesso. Segui até em casa olhando o tempo todo para trás.

***


A D. Dalva chegou para ir até a Igreja com a vovó. O Thiago veio junto, pois segundo a D. Dalva que ficou sabendo do ocorrido, a gente precisava levar um papo.

- Já tomou café? – Thiago perguntou seco.
- Já. Por quê?
- Nada. Vi o Gustavo fazendo a janta, achei que você fosse comer.
- Já comi. Podemos conversar agora?
- Sobre?
- O que está acontecendo com você?
- Não entendi a sua pergunta.
- Não seja irônico, é sério! Não lembra o que fez comigo mais cedo?
- Não... Pode refrescar a minha memória?
- Como não quero me estressar, vou refrescar a sua memória... Hoje mais cedo estávamos numa boa falando ao celular, quando o JP chegou e eu disse a você que ia desligar pra falar com ele, mas que depois a gente se falava. Ficou estressado ao telefone e desligou. Como você quer dizer que não fez nada?
- Eu conheço o JP e sei que ele vai dar em cima de você. Como você ainda é afim dele, qualquer coisa que ele fizer contigo, vai logo pra cima. Eu sei...
- É isso que você pensa de mim?! Que eu sou desse jeito? Que eu não te respeito? – perguntei incrédula.
- Não foi bem assim que eu quis dizer. Mas se a carapuça serviu...
- Não acredito que você vai falar comigo desse jeito! Isso é inadmissível, Thiago! Não aconteceu nada! Nada! Não quero mais conversar. Não quero mais me humilhar pra você. Sempre que eu for conversar com algum garoto e você for me tratar desse jeito, não vai dar certo.
- Quer terminar? Tudo o que você queria... Vá lá agora à casa do Lucas, ele vai transar com você, dizer que te ama e depois te largar! Vai pro JP também, pro Gabriel, Gustavo... São todos iguais. Estão dando em cima e depois que você ceder, eles vão te dar um fora e você vai correr atrás de mim pedindo perdão.
- Espero que tudo que você tenha dito hoje seja da boca pra fora. Mesmo sabendo que tudo sempre tem um gostinho de verdade... E ah, eu vou lá mesmo. Se quiser, posso ligar pra qualquer um deles agora.
- Fique a vontade, e não precisa me contar como foi.
- Pode ficar tranqüilo, não vou lhe contar nada! Cansei! C.A.N.S.E.I! – falei em alto e bom som para o Thiago ouvir. Ele se levantou, abriu a porta e saiu, batendo-a com força. A chave que fica pendurada na porta caiu. Apareci na janela e gritei – Idiota! Não fala mais comigo seu merda!
- Malu! O que foi isso? – Gustavo disse descendo as escadas assustado.
- Terminei com um idiota – suspirei.
- Thiago?
- O próprio. Ei, você tem alguma bebida?
- Não. Deu um revertério? – riu.
- Simplesmente cansei de ser humilhada. Quero curtir! Whoo Hoo!

Liguei o som e coloquei as músicas do meu celular bem alto e comecei a cantar. Precisava esquecer o Thiago. Pelo menos por agora.
O Lucas pra minha sorte, me mandou uma mensagem me chamando para uma festa no Green.

- Melhor coisa. Vai se arrumar! – Gustavo riu.
- Não quer ir comigo?
- Não... Eu vou ficar aqui pra avisar à vovó.
- Então liga pro Lucas, diz pra ele vim correndo me buscar! Vou ficar gostosa! Ah, depois conta ao Thiago que fiz o que ele pediu. Aliás, vou começar daqui a meia hora. Vou me arrumar.
- Começar o que? – Gustavo perguntou, mas não respondi.

O Thiago não disse que era pra eu ficar com o Lucas, JP, Gabriel e Gustavo? Pois então, vou fazer isso! Vou provar que não sou boba e que ele quem perdeu. Aproveitando que estou só com o Gustavo, vou começar por ele. Me arrumei, coloquei a roupa mais periguete possível que eu tinha no meu guarda roupa e desci. Gustavo ficou paralisado a me ver.

- Se você não fosse minha prima... – riu.
- Qual o problema? Primo com primo é de boa. Não viu na novela, o Rodrigo Santoro e a Camila Pitanga? Eram primos e terminaram juntos – ri alto.
- Você é louca, Malu! – riu – Isso é novela.
- Por que a gente não pode transformar em algo real? – disse chegando mais perto dele.
- Maria Luísa... Não provoca, você sabe que eu... Você sabe...
- Ah, então você também quer... Bom saber. – ri.
- Sim, mas não dá.
- É só ninguém ficar sabendo. – estava tão perto do Gustavo que pude sentir sua respiração.
- Malu, não me envolva em confusão... A vovó pode chegar e...
- Só um beijo, vai! Se não vou contar pra todo mundo que você é gay – ri alto.
- Mas eu não sou gay porra!
- Não parece...
- Você bebeu?
- Não. Só quero mostrar ao mundo que não sou otária. Aproveita que eu quero e estou aqui me entregando para você. Isso não acontece sempre – ri.

Ele sorriu e enfim me beijou. Eu não sabia que tinha um homem que beijava tão bem morando comigo esse tempo todo. De fato, sabia que tinha pegada. Ele me carregou no colo e fomos aos beijando até a cama, ficamos nas caricias quente, até o meu celular vibrar no bolso do vestido que o Gustavo estava prestes a tirar. Era o Lucas.

- Atende! – Gustavo gritou ofegante.

- Hello babe!
- Estou aqui em baixo.
- Legal! Vou descer, pode tocar, o Gustavo vai abrir.
- Thiago vai contigo? A gente pode buscar ele.
- Quem é Thiago? – ri alto – Estou descendo.
O Gustavo ficou com o Lucas na sala enquanto eu retocava a minha maquiagem.

- Vamos? – Lucas disse.
- Lucas, toma conta da Malu, ela não está bem hoje – riu.
- Eu percebi. Ahm... Terminou com o Thiago?
- Ta tão na cara? E Gustavo... Sei me cuidar sozinha.

Ficamos conversando sobre várias coisas no carro, enquanto não chegava, e eu contei ao Lucas do meu término com o Thiago. Ele somente sorriu e não falou mais nada.
Quando chegamos ao Green, fomos até a sua casa, para ele poder se arrumar. Fiquei na sala esperando e vendo algumas fotografias em um álbum que estava na mesa. Ele apareceu de surpresa e me viu olhando uma foto minha e dele, muito antiga. Talvez agora eu comece a segunda parte da nova Maria Luísa.

- Saudade?
- Estava aí o tempo todo? – sorri envergonhada.
- Sim... Vi o seu sorriso ao ver a foto. Sente saudades... Assim como eu sinto.
- È. Ahm... Esse dia foi especial – sorri.
- Se você quiser a gente pode reviver esse dia...
- Espera chegar o natal então – ri.
- Por que terminou com o Thiago?
- Ele não serve pra mim, só isso – sorri.

Lucas não respondeu nada, apenas me apertou mais contra seu peito e aproximou seu rosto, estávamos a milímetros de distância. No fundo eu queria, embora fosse errado, mas eu precisava sentir aquilo de novo e também mostrar que eu não sou boba. Nossos lábios se encostaram e nossas línguas se entrelaçavam em perfeita sintonia, era um beijo diferente e ao mesmo tempo calmo.
Ficamos alguns minutos ali, não pensei em nada, apenas aproveitei o momento. Ele beijava tão bem, minhas mãos percorriam pelo cabelo dele e paravam na sua nuca. Eu sentia sua mão percorrer minhas costas e segurar meu cabelo. Com certeza, foi o melhor beijo que a gente já deu. Acho que com a mistura da saudade, acabou deixando o beijo mais gostoso.
Ficamos alguns minutos assim, até que sinto tentar abrir meu sutiã. Parei o beijo ofegante o Lucas me olhou assustado.

- Quer parar por aqui? – Lucas perguntou.
- Não. Mas também não sei se devo...
- Você é virgem ainda? Meu Deus... Por isso que sempre trava comigo! E eu achando que era por causa do Thiago... – Lucas riu.
- Não é isso. Eu não sou mais virgem. Eu travo por que não consigo fazer isso com o Thiago. Sei que o que mais quero é provar que não sou boba, mas...
- Não precisa ficar nervosa. Eu vou com calma. Estou preservado, ok?
- Você planejou tudo?
- Digamos que sim – sorriu convencido.

Rimos e voltamos onde paramos. Como já estávamos daquele jeito, quase nus, ficamos nos beijando, fazendo caricias quentes, e estava tudo tão perfeito! Talvez aquele não fosse mesmo o momento para acontecer, pois meu celular tocou.

- Estava tão bom! Porra! – Lucas riu.
- È a Isabela... Eu acho... Acho que vou voltar pra festa.
- Poxa, vamos continuar! Ela espera!
- Não quero que ela saiba. Aliás, que ninguém saiba – levantei da cama, desliguei o celular e comecei a me arrumar. O Lucas me olhava de cueca box em cima da cama, cabisbaixo.
- Não quer que ela saiba por quê?
- Não terminei com o Thiago oficialmente.
- Fui só um brinquedo agora pra você? Que você usou para esquecer o Thiago?
- Não! Claro que não Lucas! Eu... Eu quero você, mas também não gosto de machucar ninguém.
- Não parece – Lucas disse seco.
- Não vamos começar a brigar, Lucas. Eu vou ficar com a Isabela – abri a porta do quarto e desci rapidamente as escadas. Olhei para trás, mas ele não estava descendo atrás de mim. Será que eu faço tudo errado?

Entrei no salão de festas e dei de cara com a Isabela e o Gabriel. Fui falar com eles, que já estavam furiosos.

- Por que não me atendeu? E desligou o telefone! Cadê o Lucas? Ele não foi lhe buscar? – Isabela disse.
- Desculpa. O Lucas está na casa dele e foi sim, me buscar, se não eu não estaria aqui.
- E essa cara? – Gabriel perguntou.
- Cara de quem faz tudo errado. Ai amigos... Eu nunca consigo fazer as coisas darem certo pra mim!
- Terminou com o Thiago?
- Sim. Quer dizer, brigamos feio. Acho que terminamos.
- E por que essa cara? Você sabe que tem vários que podem te fazer esquecer o Thiago... – Gabriel sorriu.
- Eu sei... – sorri de volta – Estou tentando fazer isso, mas parece que não está dando certo. Ah, Gabe... A gente conversa depois – pisquei – Isa, eu preciso retocar a maquiagem, me leva até o seu quarto? – sorri.

Quando entrei no quarto da Isa e comecei a me maquiar, fiquei na vontade de contar pra Isabela tudo o que aconteceu desde a briga com o Thiago. Na verdade, acho que a chamei para isso.

- Quer me contar alguma coisa? – Isabela riu.
- Você me conhece tão bem, né? É por isso que eu te amo. – rimos e eu a abracei.
- Também amo você, amiga. Mas desembucha. – rimos.
- Eu e o Thiago terminamos. Aí...
- Até que enfim! Não aguentava mais você falando que estava um saco as brigas de vocês! Tinham mesmo é que terminar.
- Hey! Deixa eu terminar mulher! – ri alto – Enfim... A gente brigou, não sei dizer se foi um término oficial, mas ele me disse: “Quer terminar? Tudo o que você queria... Vá lá agora à casa do Lucas, ele vai transar com você, dizer que te ama e depois te largar! Vai pro JP também, pro Gabriel, Gustavo... São todos iguais. Estão dando em cima e depois que você ceder, eles vão te dar um fora e você vai correr atrás de mim pedindo perdão.” – o imitei e Isabela riu – Eu disse que ia fazer. E estou fazendo! Comecei pelo Gustavo, mas não deu pra completar, pois o...
- Espera... Eu preciso falar... Com o seu primo? Aquela delícia? Meu Deus, Maria Luísa... – gargalhou.
- Preciso mostrar ao Thiago que não sou idiota, amiga! Enfim, a gente não completou, pois o Lucas ligou dizendo que tinha chegado. Fui pra casa do Lucas esperar ele se arrumar e também aconteceu com ele. Quer dizer, quase e dessa vez a culpa foi sua! – ri alto.
- Ah! Sua vadia! Então você desligou por isso! – riu alto – Me desculpa amiga! Se soubesse, juro que deixava vocês dois lá!
- Tudo bem. Só que a gente quase brigou, ele ficou chateado, pensou que eu estava usando ele pra esquecer o Thiago.
- Mas você estava.
- Ele não precisava saber.
- Ele não é idiota.
- Eu sei. E pra não brigar com ele, me troquei e saí de sua casa.
- Você é um caso sério, Malu – riu – Se maquia logo, vamos voltar pra festa.
- Só quero um batom.

Terminei de me maquiar e entramos no salão de festas dançando. O DJ fez um remix de várias músicas do David Guetta e eu amei! Comecei a dançar e pular loucamente com a Isabela, mas depois ela saiu, pois encontrou um gatinho e me deixou sozinha. O Gabriel apareceu e eu poderia começar agora a ficar com ele. Sei que ele quer.

- O mais lindo da festa hoje! – sorri e mordi os lábios.
- Você bebeu? – Gabriel perguntou rindo.
- Ainda não! Mas você não quer pegar uma bebida pra mim? – sorri.
- Tem certeza? – me olhou confuso.
- Já sei! Sua mãe está em casa?
- Não... Só meia noite... Foi pra um jantar com um povo chato aí – rimos.
- Que tal irmos até a sua casa, a gente pode curtir lá, só nós dois... – passei meu dedo pelo seu peitoral. Gabriel riu.
- Isso está estranho demais...
- Você não é afim de mim? – perguntei rindo.
- Sou, mas eu superei e se eu ficar com você agora...
- Só uns beijinhos, Gabe... Estamos numa festa! Aproveita que estou te querendo... Na verdade eu sempre quis, mas você é meu irmão...
- Não quero ser mais um pra você.
- Não vai ser. Vou lembrar essa noite com muito carinho...

Gabriel me pegou pela cintura e começou uma dança sensual comigo. Estava adorando, mas não queria que fosse naquele local, vai que o Lucas aparece? Ou qualquer um ali que conhece pode contar.

- Aqui não, Gabriel... – tirei suas mãos da minha coxa, rindo.
- Poxa... – riu – Então vamos lá pra casa – sorriu.

Gabriel me puxou e assim que entramos em seu quarto ele fechou a porta e me beijou com voracidade. Lembro de uma vez quando ficamos, mas tínhamos nove anos e não era um beijo que nem esse. Então me surpreendi com a pegada do Gabriel e continuei o beijo o puxando para sua cama. Não queria nada a mais com ele, não ia conseguir isso com o Gabriel que é o meu melhor amigo e que considero demais, então só rolou carícias e beijos quentes.

- Acho que já chega por aqui... – ri ofegante.
- Você é boa... – Gabriel disse também ofegante.
- Vamos voltar? A Isabela deve estar louca me procurando! – rimos.

A festa foi a mais perfeita que já fui em toda a minha vida até agora. Consegui aumentar mais ainda aumentar o meu ego e fazer o que estava planejando. Só falta o JP. Depois o Thiago deve ficar sabendo...
Dormi na casa da Isabela, pois a festa terminou tarde e contei a ela sobre o ocorrido com o Gabriel. Ela ficou boquiaberta e passou a noite toda me chamando de vadiazinha do Green.
***


Tomando o café para ir ao colégio e o Gustavo para o estágio, a vovó percebeu que eu e o Gustavo estávamos calados. Eu não, o Gustavo.

- Brigaram?
- O Gustavo deve ter acordado de mal humor.
- Estou cheio de coisas na cabeça, além do estágio, tenho uma prova do curso à tarde – mentiu. Eu acho.
- Entendo... – vovó riu desconfiada.
- Vovó... Vou indo pro colégio. Já imagino olhar pro Thiago.
- Não se preocupa. No colégio vocês não vão brigar. E estou chateada com você. Gustavo me contou...

Será que ela sabe de mim e do Gustavo? Ele não pode ter contado... Foi o primeiro a dizer que não queria que a vovó soubesse. Fiquei paralisada e não soube o que dizer.

- Não é nada demais não. Estava só colocando medo em você. Podia ter me ligado e avisado que ia sair com o Lucas pro Green, né? Dormiu na casa da Isabela?
- Sim. É só isso? – suspirei – Vou pro colégio.
Quando entrei na sala, praticamente atrasada, estavam todos os alunos montados em duplas e o Thiago, Leonardo e Patrick estavam juntos. O Leonardo levantou para fazer comigo.

- E ai, Malu – Leonardo disse.
- E ai. O que é pra fazer? Hum... Acabei acordando tarde.
- Nada demais. Só ler esse texto e responder umas perguntas. Mas eu já fiz – mostrou o caderno – Só precisa colocar o seu nome aqui e pronto.
- Já? – ri – Obrigada...
- Só foram três questões. Quase todo mundo terminou. Se quiser conferir pra ver se está certo...
- Confio na sua resposta. – sorri. Levantei para entregar a professora e fiquei pensando se ele imaginou que eu estava dando em cima dele. Espero que não, pois hoje em dia, é complicado. Continuei sentada ao lado dele e ficamos conversando. Eu dava umas olhadinhas pro Thiago e ele me olhava com um jeito tristonho, e ao mesmo tempo com raiva.
- Terminou com o Thi, né?
- Foi sim.
- O colégio todo está sabendo. Tem muita gente afim de você viu? – Leonardo riu.
- Tipo quem?
- Meninas e meninos. Você é linda, pô. Desde que chegou aqui a galera gamou em você. Uma pena que namorava.
- Meninas eu descarto – rimos – Poxa, eu não sabia disso. Achava que ninguém ia com a minha cara. Ainda acho, mas...
- São as meninas, que morrem de inveja quando chega uma linda que nem você no colégio – Leonardo sorriu. Será que eu fiquei vermelha?
- Ahm... Já que terminamos, vou colocar minhas coisas ali ao lado da Camila.
- Ah, ok. Vou sentar ali com os meninos. Gostei de conversar com você – sorriu. - Eu também – sorri.

Coloquei minha mesa ao lado da Camila e ela já foi logo perguntando do Leonardo.

- Ah, a gente só conversou bobagens.
- Não me engana, vai.
- Ele me disse que tem muita gente afim de mim aqui. Até meninas! – gargalhamos alto.
- Conta mais!
- Eu disse que meninas eu não quero e que pensei que ninguém gostava de mim. Aí ele disse “São as meninas, que morrem de inveja quando chega uma linda que nem você no colégio." eu queria sorrir, sei lá o que eu queria, mas me contive.
Rimos muito e ficamos o intervalo inteiro falando sobre isso. Ela estava doida pra que eu ficasse com o Leonardo. Mesmo com raiva do que aconteceu no fim de semana na festa do Green. Eu contei o que aconteceu, e ela ficou chateada comigo por ter feito isso com o Thiago, mas ainda assim não gostou do que o Thiago disse para mim. Mas eu não vou ficar com o Leonardo, ele é amigo do Thiago e pode descobrir, já fiz maldades demais com ele. Mas ele não sabe da metade do que fiz.
Quando estava saindo do colégio, o Thiago veio conversar comigo.

- E ai, você com o Leonardo? Ele falou no intervalo.
- Falou o que?
- Você e ele, se rola.
- Não rola.
- Mas você está solteira, por que não?
- Só por que estou solteira quer dizer que eu tenho que ficar com ele? E se eu não estiver afim?!
- Ah, não sabia que você era dessas... Por que depois que terminou comigo foram dois, ou mais, não sei...
- Isso não quer dizer que eu vá ficar com o Leonardo também. Não entendo por que isso comigo...
- É que o que você dá a entender – deu de ombros.
- Tem certeza que você me amou alguma vez? – perguntei incrédula
- Por que essa pergunta?
- Tenho certeza que nunca me amou. Sempre brigava comigo e falava coisas para mim como se eu não te amasse de verdade. Mas acho que era ao contrário, você que não me amava.
- Eram os únicos argumentos que você me dava. Eu sempre te amei, Maria Luísa, você quem faz tudo errado. Mas esquece aquilo. E me esquece também.
- Impossível te esquecer – falei cabisbaixa e com lágrimas nos olhos.
- Ah, não vem com essa! Por favor!
- O banheiro estava cheio! – Camila apareceu rindo – Ahm... Atrapalhei?
- Era pra você ter chegado bem antes. Talvez isso não tivesse acontecido. Vamos logo, amiga – falei cabisbaixa puxando a Camila.
- E essa cara?
- Vamos, por favor?!
Sabe aquela vontade de fugir pra bem longe desse país? Desse mundo? Eu estou com essa vontade. Fui o caminho todo chorando, então a Camila parou na casa dela que é mais perto do colégio e ficamos conversando ao invés de seguir sozinha para casa.

- O que o Thiago disse? Ele está passando dos limites com você. Ele pensa que é santo?
- Vou virar freira.
- Não fala isso – riu alto – Amiga, não liga... Tudo bem, você tentou dar a volta por cima e se dar bem, mas acabou se saindo como a nova Carol... Ahm... Continue sendo quem você é, pois eu gosto de você assim. E não liga pro Thiago, nem pro Lucas e nem pro Gustavo, nem pra qualquer garoto que fale coisas de você. Tem melhores por aí, é só procurar direitinho.
- Não quero ficar com mais ninguém. Eu não me importo em ficar sozinha...
 

Lembro quando vivia ligada na internet conhecendo gente nova. Resolvi me desligar do mundo real e conhecer pessoas mais legais pela internet. Fui super simpática numa comunidade antiga onde conhecia várias pessoas e fazia novas amizades, que duas pessoas me adicionaram. Uma se chamava Amanda e o outro era o Victor. Eram bem legais e eu esperava conversar com eles e fazer novos amigos. Precisava esquecer o mundo real. Será que vou conseguir?

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