Capítulo 21

- E ai? Como você está? – perguntei mesmo sabendo que ela não estava bem.
- Me sentindo um lixo.
- Não precisa exagerar Carol... Bom, entendo estar mal. Você quer que eu fale com o Igor no intervalo?
- Quero sim, por favor! Contou a mais alguém?
- Ahm... Eu queria contar pra Camila, por que ela pode me ajudar a falar com o Igor. E também ela está sacando tudo e eu a conheço e não quero brigar com ela.
- Ta. Tudo bem. Mas por favor, só para ela. É sério! E que ela mantenha segredo.

O sinal bateu para o inicio da aula e assim que entrei na sala a Camila me olhou confusa.

- Lhe conto tudo mais tarde. Preciso de você, amiga – sorri.
- Não me deixa curiosa Malu!
- Desculpa, mas agora o professor chegou! – me virei e comecei a prestar atenção na aula.

Assim que deu o intervalo corri para contar a Camila.

- Amiga, a Carol está grávida.
- Oi?! – Camila me olhou confusa.
- Quando estava em Salvador, ela me telefonou pra dizer que estava grávida. No momento, pensei que fosse do Thiago, mas vi que poderia ser do Igor, afinal ele foi o último com quem ela ficou e de fato, transou com ele. Me pediu ajuda por que eu era a única que não ia ficar falando, mesmo com os acontecimentos entre nós e tal. Pediu desculpas e eu como não sou má, resolvi ajudar. Agora, preciso da sua ajuda. Ela já está ciente que eu lhe contei e pediu pra também, não contar a ninguém! As únicas pessoas que sabem, somos nós, seus pais e o Thiago. Nem as amigas dela ali sabem então, por favor, me ajuda cara! Eu preciso contar ao Igor!
- Estou besta... – Carol riu – Vamos agora contar pro Igor.

Puxei a Camila e fomos falar com o Igor que estava conversando com o irmão Vinícius.

- Igor... Posso falar contigo?
- Agora é comigo? Estou começando a desconfiar de algo... – Igor riu.
- Larga de idiotice, vem logo! Você vai parar de rir já, já – Camila disse e o Igor ficou assustado.
- Camila! – ri alto – Ahm... Igor... Vamos pra quadra – assim que chegamos a ficamos cochichando quem ia falar ao Igor.
- Acho melhor você, amiga. Sabe mais do assunto... – Camila disse.
- Eu te chamei por isso, Camila! Você sabe conversar melhor...
- Mas não sei muito, não quero contar de vez! É melhor ir com calma.
- Eu prefiro que contem logo! O intervalo são vinte minutos – Igor disse.
- Ahm... Okay. Igor, você vai ser pai – Igor tossiu. Teve uma crise na quadra. Engasgou com a própria saliva. Batemos em suas costas rindo.
- Desculpa o riso... – ri fraco – Mas é a verdade, e você pediu pra contar logo. A Camila está grávida e essa é a verdade. Agora se você é o pai... A gente não sabe ainda.
- È, talvez ela tenha te traído... – Camila riu.
- Cara! Eu não posso ser pai! Sabem quantos anos eu tenho?! Sou jovem!
- I’m sorry dude. Mas, você está ferrado! Faz assim, conversa com a Carol... Ela não está se sentindo bem pra lhe contar, por isso nós vimos – Camila disse.
- T... Tudo bem... Eu... Eu vou conversar com a Carol mais tarde. Ahm... Vou pra sala, meninas. Valeu – sorriu fraco e levantou-se da arquibancada andando rápido.


***


Eu a Camila fomos levar a Carol até o médico. Seus pais pediram que nós ajudássemos nisso. O médico perguntou a Carol se ela não percebeu que estava grávida há uns dois meses atrás, por que todo o mês você menstrua e é impossível não sentir nenhum efeito antes. Ela decidiu fazer a ultrasom pra ver se estava tudo certo, mas decidiu depois disso, abortar.

- Sua louca! Isso é crime! Você vai está matando alguém, Carol... – Camila disse.
- Não fala isso Camila! Eu... Eu não quero matar ninguém, só não quero ter um filho agora – Carol disse cabisbaixa.
- Carol, isso você tem que resolver com sua mãe. Ainda é menor de idade.
- Ela vai aceitar. Eu só tenho dezesseis anos, meninas!
- Ninguém mandou fazer errado – Camila deu de ombros.
- Carol, pensa nisso com calma. E com a ajuda dos seus pais. Ahm... Estava pensando aqui e acho que o seu filho não é do Igor.
- Por quê?
- Você não tem dois meses com o Igor, Carol! E também, sei lá... Você transou com o Igor assim que começou a ficar com ele?
- Nos conhecemos numa festa, na primeira semana de aula. Assim que o vi lá lembrei que ele era o novo da minha sala e conversamos, desde então a gente passou semanas conversando e naquele dia mesmo no clube quando nos viram juntos, foi à primeira vez.
- Isso não tem dois meses nem aqui, nem na China!
- Foi com o Thiago, então? – Camila perguntou.
- Não sei! Não me pergunta sobre o pai! Eu não vou ter esse filho mesmo! – gritou.
- Faz o que quiser... Vamos sair desse hospital. Cansei daqui... – disse confusa depois de pensar na possibilidade do Thiago ser o pai. Ou o Lucas!

Deixamos a Carol em casa e fiquei com a Camila em sua casa. Ela me contou que terminou ontem com o namorado pelo telefone. Mas não estava nenhum pouco triste, então pensei no Gustavo. Ele ainda é afim dela.

- O Gustavo é lindo, mas não. Eu só quero a amizade dele...
- Ele vai amar saber que você está solteira...
- Se você contar, juro que corto sua língua!
- O Gustavo é perfeito pra você. Assim, ele sairia dessa solidão, é sério. Meu primo precisa de alguém, como você. – rimos muito e só paramos por que recebi uma ligação do Thiago.

- Onde você está? Quero falar com você. Espero que não esteja longe.
- Estou com a Camila, na casa dela. Fale por aqui mesmo, vá.
- Não pode. Irei até ai, tudo bem? Conto as duas, até melhor. Beijos.

- Minhas lindas! – sorriu fraco e nos deu um abraço.
- O que houve? Você estava tenso ao telefone...
- Vou ter que ir pra São Paulo.
- Como assim? As aulas começaram Thiago! Você mal chegou ao colégio... – Camila disse.
- È uma viagem. Preciso fazer uma cirurgia e aqui não faz.
- Cirurgia? O que você tem? – o olhei preocupada.
- Uma coisa...
- Uma coisa... Bem explicado.
- Não complica a minha situação... Eu não quero dizer!
- E o que veio fazer aqui, cara?! Complicar a situação! – Camila disse.
- Só reza por mim. Vai dar tudo certo...
- E o que você tem caralho?! – Camila gritou.
- Um problema respiratório. Não é grave... Vocês sabem que eu tenho um problema, então vou fazer essa cirurgia. É só isso, eu volto em uma semana. Ah, se o filho da Carol for meu, me ligue por lá, que vou ajudá-la. Se eu morrer, a minha mãe pode ajudar a comprar fraldas.
- Para de falar idiotice! Por favor! O filho não é seu, e se você tem tanta certeza assim, pede pra ela fazer um exame antes de você partir – Camila disse.
- Partir?! Vocês estão brincando comigo? – falei, quase chorando.
- Viajar, idiota. Olha, vou deixar vocês conversarem. Quando terminar, pode entrar e falar comigo. – nos deu um abraço e saiu. Ficamos um bom tempo nos olhando e eu com uma vontade imensa, de chorar.
- E agora? Você pode me contar?
- Já contei. É o meu problema respiratório... Vai ser uma semana lá e eu volto – me deu um beijo e sorriu fraco.
- Eu entendo. Posso ir contigo?
- Não. Você não pode perder aula, amor... Fica aqui e reza por mim. – nos abraçamos por um longo tempo e entramos na casa da Camila.
- A gente se vê no colégio amanhã. Feia – riu pra Camila.
- Vai ficar tudo bem com você, né?
- Espero que sim. Vamos torcer por isso. – sorriu.

***


Ah, lembra-se do J.P? Aquele que eu fiquei algumas vezes ano passado? Ele se mudou.
Voltou para o Rio de Janeiro, onde nasceu e foi criado por sete anos. Os pais deles estavam trabalhando aqui, mas eram somente dois anos. Agora que acabou o tempo, eles voltaram pro Rio. Não pude nem me despedir dele, então me mandou uma mensagem linda pelo facebook.
No colégio, sempre dava um jeito de conversar com a Carol. Ela andava mal e nenhuma das “amigas” falava com ela.

- Sério... como você está? E os seus pais? E o Igor?
- Mal, péssimo e distante.
- Ok, sempre as mesmas respostas, acho que não vou mais perguntar. – rimos – O Igor, distante? Como assim? Ele falou com você?
- Sim, foi tipo, não sei explicar, mas tipo, foi meio grosso, sabe? Tipo...
- Para com esse tipo e desenrola a conversa – rimos – Tenta conversar normalmente, respira...
- Quando vocês falaram com ele, no fim da aula a gente desceu e parou na praça para conversar. Só que ele foi logo soltando: “Não sei como isso aconteceu, mas, eu não sou o pai, ok?! E se eu for... Ah, estou ferrado cara, ferrado! Eu não posso ser pai, logo eu! Vamos fazer logo um exame, vê de quanto tempo tem esse filho, por que eu não posso ser o pai dessa criança... A gente não tem muito tempo e só transamos uma vez! Eu sei que foi com camisinha. Então pelo amor de Deus, vê quem é o pai e vamos ficar só na amizade.” Foi mais ou menos isso – suspirou – Repetiu mil vezes que não poderia ser o pai, mas foi isso que ele disse. “Vamos ficar só na amizade”, só que mal fala comigo.

***


A semana foi rápida e chegou o dia que eu estava rezando para que não chegasse. O Thiago ia fazer a cirurgia. Como não poderíamos ir até o aeroporto, por que é em um bairro meio longe e não dava pra pegar um carro, nos despedimos na casa dele mesmo.
Esperei todos falarem com ele - era muita gente. Todos do colégio, que tinham amizade com ele, à família que era daqui, muita gente que não conhecia, estavam lá para dar um abraço - e depois fui me despedir. Estava chorando igual a um bebê.

- Estava esperando você vim falar comigo – Thiago sorriu.
- Não olha para o meu rosto. Está horrível. – falei rindo, mas ainda chorando.
- Até chorando você fica linda, já te disse isso. – falou enxugando minhas lágrimas. - Quero ir junto... – fiz bico.
- Por favor, fica aqui... Vai ficar tudo bem meu amor.
- Eu sei.

Sônia veio falar com a gente e avisar que o Thiago tinha que ir, pois estavam atrasados.
Despedi-me bem rápido dele, abri o berreiro e chorei como um bebê. Fiquei até com dor de cabeça. Minha avó me deu um remédio que me fez dormir até o outro dia.
O fim de semana e os dias no colégio foram normais. Na quarta, o Thiago faria a cirurgia e quinta já estava de alta, mas só chegava aqui sexta feira. Todo o dia recebia uma ligação dele dizendo que estava tudo bem.

***


Fui visitar o Lucas na quinta feira, depois de milhares de mensagens dele me cobrando o que prometi em Salvador, por que estava esperando o Thiago receber melhora, e graças a Deus já está de alta e não preciso me preocupar, amanhã ele chega e eu vou mimá-lo muito!
Conversei com o Lucas na praça e tomamos sorvete. Senti falta do JP na sorveteria. Ele sempre anda lá...

- Ei, tem visto a Carol esses dias? – perguntei.
- Tem uns meses que vi. E antes do carnaval.
- Ficaram?
- Antes do carnaval? Não. Ficamos faz uns meses já – nessa hora tossi alto que quase coloquei pra fora o sorvete que estava derretendo sozinho na boca.
- O que foi?! – perguntou assustado.
- Ahm... Nada – sorri tentando desconversar – Como foi seu carnaval? A gente não conversou muito depois daquele dia...
- Foi bom. Meus pais saíram numa revista muito famosa, pois os artistas usaram seus biquínis nos desfiles... Enfim, vieram aqui entrevistá-los depois pra um programa de TV e eu tive que dar uma entrevista sobre o que acho do trabalho deles – riu – Odeio isso, na moral...
- Ah, deve ser bom ter pais assim, Luc! – sorri.
- Amo quando você me chama pelo apelido, sabia? – sorriu carinhoso – Hum... Você ia amar, com certeza! É mulher e ama moda, que eu sei... Mas eu? Nada a ver, cara. Eu não curto. O bom são as viagens, ver as gatas de biquíni e o dinheiro, claro – rimos.
- O dinheiro... Claro! – rimos.
- Me conta, por que perguntou da Carol? Andou aprontando?
- Não... Viramos, não sei se posso dizer isso agora... Mas, viramos amigas. Quer dizer, estamos nos dando bem e estou gostando disso – sorri.
- Que bom Malu! A Carol é muito gente boa. Meio doidinha, mas...
- Eu sei. Quando a conheci pela primeira vez já percebi o jeitinho doidinho, mas sabia que ela era uma boa pessoa. Sei que ela não é má, aquilo foi uma ocasião especial – ri.
- Ainda bem que já passou – sorriu fraco – Mas por que perguntou da Carol? – riu – Você só desconversando...
- Nada curioso... Senhor Lucas – ri – Não vou lhe contar. Só foi uma pergunta.
- Você também me fez uma pergunta e eu respondi! Isso não vale – rimos.
- Tudo bem. Só queria saber se vocês tinham ficado, por que ela está com o Igor lá da sala e precisava saber se ela andava traindo ele nas festas – menti.
- Não... Ela estava solteira quando ficou comigo. Eu acho. Ela me disse que não estava com ninguém. E das festas que eu fui, ela estava convidada em todas, mas acredita que ela não foi? Ela andou sumida...
- Vocês só ficaram ou tiveram algo a mais? Ela estava solteira, então...
- Como assim? Por que a pergunta?
- Nada. Só me responde.
- Ciúmes?
- Não. Me responde!
- Sim. A gente transou lá em casa. Estávamos bêbados e...
- Ai. Meu. Deus – falei pausadamente.
- O que foi? – perguntou confuso.
- Nada – engoli seco – Acho melhor eu ir...
- Me conte agora! Essa conversa está muito mal contada. Se começou, termine.
- Tudo bem, Lucas. Mas me promete: não conta pra Carol. Não conta pra ninguém! Você não pode saber, mas talvez precise...
- Eu prometo – cruzou os dedos em sinal de promessa. Engoli seco. Não queria dizer que a Carol estava grávida. Mas parece que o Lucas é o pai.
- A Carol está grávida. Eu não queria te contar, mas foi por isso que nós...
- Por que você me contou! – Lucas disse nervoso.
- Me desculpa! Você... Você pediu! Se eu não contasse você poderia ficar chateado e...
- Você sabe que não! Nunca ficaria chateado com você, e sabe disso.

Não, eu não sei. Pedi para me levar em casa. Como era tão perto ele resolveu me levar para dar uma voltinha de moto. Achei super fofo. Quando fomos voltar para ir direito até minha casa eu vi a Carol, sentada na sorveteria, sozinha. Fiz questão de descer com o Lucas para conversamos os três. Ele não queria claro, mas eu forcei dando uma ameaça básica.

- Eu vou, mas não vamos tocar no assunto “gravidez”, por favor.
- Ei! Você nem sabe se é o pai, Lucas.
- Mesmo assim. Não toca no assunto.
- Tudo bem. – Descemos da moto e vi que ela já tinha nos visto. Dei um tchau e seguimos até onde ela estava e o Lucas muito nervoso. Na hora do vamos ver ele não fica nervoso.
- Sozinha por aqui? – perguntei sorrindo.
- Não estou só – sorriu – Eu ia te ligar agora, acredita? Preciso contar algo pra você e pra Camila sobre o que vou fazer. Oi, Lucas – sorriu e Lucas fez o mesmo.
- Fazer aquilo que estou pensando?
- Não sei. Pode ser que sim. É algo que lhe disse na clinica. Lucas está calado...
- Não estou muito bem.
- Por quê? – Carol perguntou e eu cerrei o Lucas com os olhos. Ele não podia contar.
- Mal estar. Ressaca – rimos.
- Sei. Lucas... Acho que tenho que contar logo.
- Eu já sei – engoliu seco.
- Sobre a... A gravidez?
- Sim. Eu vou lhe ajudar, eu assumo a criança.
- Eu não vou ter esse filho, por que irei abortar, já decidi. Não tenho como cuidar de uma criança nessa idade. E nem você teria, né? Então...
- Quer dizer então que eu vou ser mesmo pai? E você não pode fazer isso. Não mesmo, abortar é crime!
- Que se dane! Já tomei a decisão. E não, você não seria o pai, talvez até possa ser, meu comportamento no passado foi tão péssimo que não é só você o único que está nessa.
- Que se dane?! Eu já lhe disse que era pra você esquecer isso de abortar – disse.
- Okay Malu. E se fosse você, o que faria?
- Eu tomaria cuidado pra isso não acontecer.
- Estou falando se você estivesse grávida. Não venha com lição de moral! Já ouvi isso milhões de vezes, por favor.
- Não sei, como não sou eu que estou grávida no momento, não paro pra pensar nisso. Tudo bem, você é praticamente uma criança e não tem condições de perder quase um ano inteiro esperando outra criança, sentindo dores e depois ainda ter que cuidar, é pesado, mas abortar, você não pode fazer. Ninguém mandou o engraçadinho fazer errado...
- Você estará matando alguém.
- Nada a ver isso! Praticamente não tem nada na minha barriga, não tem um bebê de fato aqui, só... Ah, não sei explicar, mas não tem problema eu abortar agora, ninguém diz que estou grávida. Ahm... Eu só vim aqui comprar uma coisa para minha mãe e sentei pra passar o tempo. Mas eu tenho que levar a sacola, a gente conversa no colégio. Ah, foi legal te ver Lucas, não se preocupa com nada, pois a sua barriga não vai crescer, é a minha. Ah, um aviso: Já marquei a consulta, pra abortar. É uma clinica clandestina.
- Você vai se arrepender muito disso... – Lucas disse.

***


Fui para o colégio encontrar a Carol e conversar com ela. E Camila tinha que ir junto, por que ela me ajuda a brigar.

- Vamos ali com a gente na quadra.
- O que vocês tanto querem com a Carol? Não a odiavam? Estamos contando da festa de ontem, ela não foi – Jéssica disse.
- Legal. Mas temos um assunto mais importante do que essa festa.
- Ah, então diz – Jéssica disse. Idiota.
- Para de se intrometer! A conversa é com a Carol. A gente já devolve a SUA amiga – Camila disse puxando a Carol para fora da sala. Ri muito.

- Ela tem fama de barraqueira, viu? – Carol disse rindo pra Camila.
- Eu também tenho! Mas, não sou.
- Se for pra falar sobre aquilo, Malu, não adianta.
- Pior que é sobre isso mesmo e não fuja. Você é idiota, ou o que?! Acha que abortando a criança vai ficar tudo na paz, na boa? – Camila disse. Custei rir fraco.
- Não. Sei que vou ficar com aquela culpa, mas é melhor pra mim. Eu não quero ficar gorda, não quero ter barrigão, ter que ficar em casa enquanto está todo mundo indo pra festa, ou melhor, enquanto estão todos falando de mim pela rua, enquanto eu não sei quem é o pai... Ta isso é o de menos. Poxa, são tantas coisas e eu sou uma adolescente, tenho muita coisa pra viver, curtir, então não quero ter um filho agora! Será que ninguém entende?!
- Eu sei Carol, mas você não pode fazer isso. E também não pode ficar pensando na sua reputação e no que falam de você. Vai ficar nove meses com o barrigão, vai ficar enjoada, mas isso é o de menos, depois que isso passar você vai ver como vai ser bom ter feito esse sacrifício todo. Apesar de ter sido errado ter ficado grávida e ainda sendo adolescente. Mas depois disso, você vai ver como é bom, vai adorar ter um filho, e a sua mãe vai ajudar, como está ajudando, eu e a Malu, vamos ajudar você, suas amigas, quer dizer, não sei o que elas são, mas quando souberem elas irão te ajudar e se não ajudarem é por que não são realmente suas amigas, mas não se preocupa com isso, vai ser tão bom depois, e passa muito rápido! A gente pode dormir na sua casa, fazer aquelas coisas de “festa de pijama” só pra você não ficar se sentindo sozinha, sem poder sair. Mas pode ir normalmente pra qualquer lugar, menos festas, pode fazer um chá de bebê... Não dói ficar grávida! Eu sei que você é jovem, mas se aconteceu, vai ter que fazer isso ser real! – Camila disse.
- Verdade. A gente vai estar com você, mesmo que... Esquece. Passado, fica no passado.
- É. Olha só, dei mil maneiras pra você não abortar. Pensa bem nisso, viu?!
- Obrigada pelas palavras de conforto, meninas. Eu posso dizer que amo vocês? É que... Mesmo eu tendo feito coisas ridículas com a Malu, agora eu estou gostando muito de ter vocês duas comigo, por que são as únicas que sabem disso e estou adorando ficar com vocês, de verdade. A gravidez talvez tenha nos unido – sorriu. Abraçamos-nos forte e decidimos voltar para sala.
- Que dia você marcou essa idiotice? – Camila disse e eu caí na risada.
- Amiga! Vai com calma! – ri alto.
- A Camila tem um instinto de barraqueira mesmo – Carol riu – Ah, o aborto é amanhã.
- Não vou te forçar com isso, você que se decida com os seus pais. Eu só dei um conselho de amiga para você. Pense no que disse e no que a Malu também. Se for fazer, quero ir junto.
- Eu também.
- Vou pensar com carinho.

Estava um pouco preocupada com o Thiago, por que ele ainda não me deu noticias. Eu sei que volta hoje, mas eu fico angustiada sem ter noticias dele. Não me disse o horário que ia chegar. Ele sempre faz surpresas.
Fomos ao aeroporto buscá-lo junto com a sua família. Quando chegamos ao aeroporto, ficamos esperando mais cinco minutos para resolver tudo e eu fiquei olhando as revistas em uma livraria, até que encontro uma pessoa pagando um livro no caixa e fui lá checar se era ele mesmo.

- JP?
- Malu? Nossa você aqui? Vai viajar? – me abraçou.
- Vim buscar o Thiago. Veio fazer um passeio? – sorri.
- Não. Vim pra ficar, eu acho – sorriu.
- Que bom! Eu nem falei com você quando foi embora...
- Vamos marcar um dia, se você quiser pra gente dar uma volta na sorveteria – rimos – e pode chamar o Gustavo também, seu namorado, enfim, chame quem quiser – sorriu.
- Tudo bem. Eu vou voltar, por que ele já deve ter chegado – o abracei e saí. Aproveitei e comprei um livro.

Vi o Thiago de longe abraçando a Dona Dalva. Ele realmente estava fraquinho... Mas continua lindo.

- Onde você estava? – falou rindo e me abraçando forte – Que saudades, pequena!
- Que abraço bom!
- Você ainda não me disse onde estava. – riu – brincadeira.
- Estava na livraria. Comprei um livro.
- Mais um pra encher a sua estante – rimos.
- Vamos meninos! O moço está esperando no carro e eu aposto que deve estar com pressa.

Entramos no carro, ficamos um pouco apertadinhos, mas valeu. Avisei a minha avó que ia ficar na casa dele hoje por que queria matar a saudade que estava sentindo. A primeira coisa que o Thiago fez foi beber água.

- Cara, estava morrendo de sede! – rimos.
- Percebe-se, né? Tome sua água e coma alguma coisa.
- Vai cuidar de mim meu amor? – sorriu me dando um selinho demorado.
- Claro! Nem acredito que você está aqui e ocorreu tudo bem. Vem cá, vem cá, me abraça. – rimos e nos abraçamos até a Sonia nos chamar pra piscina.
- Ah, não posso entrar na piscina. – sorri sem graça.
- Mas sabe que isso não é problema. Vem, vou lhe ajudar. Homens... Terei uma conversa com a Malu, particular e coisa de mulher. Fique a nossa espera – rimos. Subi muito sem graça e ela toda animadinha pra falar comigo, mandou eu sentar na cama dela que ia buscar algo.

- Não queria perguntar, pois já sei. Você é virgem?
- A senhora não ia me emprestar o biquíni? – ri sem graça.
- Tudo bem... Eu tenho esse aqui pra você, mas ia te emprestar um o.b pra você usar, sabe?
- Sei. Ahm, obrigada, mas acho que vou ficar só tomando um sol. Quero a parte de cima – sorri.
- Tudo bem, mas não precisa ter vergonha de dizer o que já sei – riu – Thiago é meu filho, eu já sei que vocês não são mais... Bom, te deixei sem graça, mas não é necessário! Pode se abrir comigo o quanto quiser.

- Nossa, até que enfim! – Marcos disse passando protetor solar no corpo. E que corpo. Não sabia que o Thiago tinha um pai saradinho. Pena que é chato com o filho. - Pensei que você tinha ido comprar um biquíni pra Malu – Thiago riu.
- Sabe como são as mulheres. A Malu me contou muitas coisas interessantes, não foi?
- Acho que foi. – ri sem graça.
- Thiago é perfeito em tudo que faz, até debaixo dos cobertores – riu.
- O que você disse a minha mãe? – Thiago me perguntou. Eu não disse nada que ela não soubesse.
- Não disse nada...
- Que te interesse. Mas como eu sei que a Malu vai contar... Falamos de coisas intimas.
- Eu não posso saber também? – Marcos riu.
- Perguntei sobre o que acontecia entre quatro paredes, meu amor – riu – Eu já sabia que já tinham feito algo, só queria confirmar. – Eu estava tão envergonhada, mas tão envergonhada, que queria me afundar naquela piscina pra sempre. É sério.
- O que ela respondeu? – Marcos perguntou entusiasmado.
- Pai, por favor. A Malu está aqui! Depois você fala isso com ele, mãe.
- Estamos todos em família, a Malu não liga, não é? – sim, mas não queria dizer.
- Imagina. Estamos em família, é.
- Então que ótimo! Vamos, Sônia, me conte.
- Pai, para! Ela está mentindo.
- A gente mal começou – disse querendo entrar na brincadeira. Mas na verdade estava morrendo de vergonha.
- Não provoca...
- Quer parar o assunto por que íamos perguntar a você quem foi o culpado? – Sonia riu. - Mas isso é algo pessoal.
- Ah, mas a gente não quer os detalhes, relaxa! Somos seus pais, não estranhos.
- Ele foi o culpado sim. Mas eu também fui – sorri.
- Vai rolar DR, Marcos. Vamos sair da piscina e deixar os dois... – Sonia riu.

Eles riram e saíram da piscina para ver a comida e ficar um pouco com Dalva. O Thiago já estava me olhando meio furioso, mas não estava nem ai. Eu também nem sei o que fiz. Acho que queria mesmo provocar, por que no fundo, eu não queria contar nada disso. Essa cena foi completamente ridícula.

- Não entendi o seu comportamento.
- Desculpa. Só estava brincando um pouco com seus pais.
- Não vi nada de brincadeira ali. Tudo o que foi dito foi verdade. Ou não foi?
- Não pensei que você fosse reagir dessa maneira. Aposto que seus pais não gostaram disso.
- Problema deles! Mas isso não é coisa que se fale.
- Tudo bem. Se você não tivesse ficado furioso, estaria tudo bem até agora!
- Falei aquilo por que percebi que você estava sem graça.
- Eu estava sim, no começo. Mas eles são seus pais, então estávamos em família. Não vi problema.
- Tudo bem. Não quero brigar com você.
- Ninguém está brigando.
- Não quero discutir com você.
- Não estamos discutindo. Somente estamos conversando sobre o ocorrido e...
- Ah, para! Vamos almoçar, estou com fome. – Thiago levantou da piscina e foi almoçar. Pensou que eu ia atrás dele está muito enganado. Continuei na piscina, pois sabia que o almoço não estava pronto. – Você não vem?
- O almoço não está pronto.
- A gente precisa conversar. Antes de fazer essa cirurgia toda, a gente não estava indo muito bem. Estávamos brigando e você estava de rolo com o Lucas...
- O que? Poxa, por favor, isso que você disse é a mais pura... Mentira. Tudo bem, eu admito que não esteja indo bem mesmo, mas dizer que eu tinha um rolo com o Lucas já é demais. Se eu estava com você, ia ficar com você. Na verdade, estou com você e vou ficar com você.
- Desculpa. Mas e as ligações em Salvador? E tudo aquilo?!
- Só queria encontrar com ele. Mais nada! Somos amigos.
- Sei... Continuando... Não estamos indo muito bem, é o tempo todo briga, não sei o que está acontecendo com você, de verdade. Uma hora está um amor, outra hora quer me provocar e brigar, não entendo.
- É que às vezes eu fico...
- Cansada de ficar comigo?
- Por favor! Não é bem assim... Só por que ás vezes eu não quero namorar não quer dizer que eu esteja cansada de você.
- Devo acreditar?
- Faz o que quiser – dei de ombros.
- Desculpa... - como estávamos sentados naquelas espreguiçadeiras que ficam perto da piscina, ele veio deitando em cima de mim e ficava dando beijinhos em meu pescoço – Você foi à pessoa mais importante que apareceu na minha vida nos últimos anos –sussurrou – Não quero perder você. Vamos almoçar.

O dia foi divertido na casa dos pais do Thiago. Depois que ele me trouxe em casa resolvi dormir, pois amanhã cedo eu e a Camila, vamos faltar aula pra levar a Carol na tal clínica.



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