Capítulo 17

Acordei e lembrei que hoje o Thiago ia embora. Eu e o Gustavo fomos nos despedir dele, e mesmo com a birra que ele estava tendo comigo, o Thiago é meu amigo ainda. E nos gostamos muito. Assim que chegamos lá, seus pais estavam na cozinha tomando café somente a espera do Thiago para pegarem o avião.

- Encontramos uma casa muito linda a venda em um bairro perto daqui! Estamos dando uma olhadinha... – Sônia disse.
- É já está quase tudo certo quanto a casa, mas precisamos ver com o trabalho, se podemos voltar e se promovido pra cá – Marcos disse.
- Terminei mãe. Vamos... – Thiago disse.

O Gustavo se despediu do Thiago primeiro e na minha vez eu o abracei e ele me pediu desculpas pelas coisas que disse.
Fomos pra casa almoçar e depois, fui bater um papinho com a Camila em sua casa. Como estávamos ainda de férias, decidimos ir ao shopping comprar roupas e passear um pouco. Queria levá-la no Green para conhecer meus amigos. Mas vou esperar outro dia. Ficamos sabendo pela avó da Camila, a dona Cláudia, que o clube ia ser reinaugurado no sábado. E nesse dia, o clube ia ter muitas coisas legais.
O dia passou intenso e chegou o sábado. Eu acordei e fui ligar logo pra Camila se arrumar pra irmos todos a inauguração do clube. O dia foi muito incrível. As férias estavam meio tediosas, mas às vezes eu ia pro Green, ficava com a minha avó e o Gustavo em casa, ia sair por aí com a Camila e não ficava tão chato assim.


***
Saí com a minha avó e o Gustavo para o shopping. Fomos comprar a roupa para o réveillon que ia ser no clube. Fizemos um almoço especial hoje com a D. Dalva e eu fui ao salão com a Camila para ficarmos linda para o réveillon. Voltamos do salão à noite, bem na hora de se arrumar. Estávamos lindas. Mandei mensagem a todos os meus amigos pelo celular e fui correspondida.
Sempre viajava com meus pais no Ano Novo para alguma ilha ou praia, mas dessa vez foi diferente. E bem divertido. Eu amei o ano novo do clube.
Chegamos cansados desse dia. Minha avó, Dalva e a avó da Camila, foram mais cedo embora e deixou a gente curtindo. Voltamos tarde e dormimos até umas horas.
Acordei e liguei para o Thiago para desejar um bom ano novo para ele. Somente uma mensagem no celular não servia.

- Thiago! Saudades...
-Muitas, pequena... Eu espero voltar esse ano.
- Eu também espero! Estudar sem você é muito chato – rimos.
- Mal acostumada – riu -. Então... Eu to no carro agora, indo a praia com meus pais – suspirou – o sol ta muito forte aqui! Seria ótimo se você tivesse comigo. Ahm... Eu te ligo mais tarde.
- Oba! Curta muito então! Beijos, Thi.

Por falar em praia, faz tempo que não vou. Desci para jantar, já que acordamos quase cinco da tarde e depois fomos jogar videogame. Faz tempo que não jogo videogame, mas depois de ver o Gustavo jogando, eu fiquei com vontade de voltar a jogar.
Essa semana vou me matricular novamente no mesmo colégio. Por recomendação da vovó, ela achou melhor que eu continuasse estudando por aqui mesmo, pois é mais barato do que o Green. Você deve estar se perguntando: “Ah, seus pais são ricos, cadê a herança?” e eu lhe respondo: Não é da sua conta. Mas, se quer saber, sonho em conhecer o mundo e fazer um festão de dezoito anos, ainda ajudar a minha avó. Acho que não tem mesmo necessidade de voltar a estudar no Green, eu gostei daqui. O Lucas tinha me mandado uma mensagem. Achei estranho, pois ele não estava falando comigo.

“Oi Malu! Vim pedir perdão. Ok... Você deve estar rindo agora de mim, pois eu sou muito orgulhoso, você sabe. Mas é que a Isabela me obrigou. Não estou pedindo perdão por que ela obrigou, mas pensei bem nas coisas em que ela me disse e resolvi que estava chato ficar sem falar contigo. Meus dedos estão cansados... A gente pode conversar melhor? Beijos, Lucas.”

Com certeza ele acertou. Estava rindo dele. E feliz, pois acho que vamos novamente voltar a se falar. Sem beijos, só amigos. Percebi que mesmo querendo, eu e o Lucas não somos mesmo feitos para ficar juntos. Ou somos?
Ele mandou outra mensagem dizendo que estava na praça me esperando. Me arrumei e fui ao seu encontro.

- Olá! – sorri e o cumprimentei.
- Quanta felicidade! – sorriu.
- Finalmente tudo dando certo – sorri -. Então, vamos conversar?
- Sim.
- Ahm... Eu queria falar umas coisas pra você, pode ser? – Lucas riu e assentiu com a cabeça -. Bom... Começando lá no seu aniversário... Mas... Não me interrompa – ri fraco -. Então, a gente conversou, foi tudo de boa, até acontecer aquilo e enfim. O seu aniversário eu meio que esqueci o problema. Ai vem à parte do dia da pulseira, você foi me devolver e ficou tudo certo entre a gente, e ai fomos pra festa e estávamos ficando, pensei até em depois daquele momento, pedir você em namoro, mesmo não sabendo se a resposta era boa ou ruim. Só que a Mariana apareceu, e acabou com o meu dia. Acabou com nós. Ainda não esqueci.
- De pedir pra namorar comigo? – Lucas riu.
- Não, bobo. – ri –. De quando a Mariana apareceu dizendo que tinha algo para você. Vou confessar que eu subi e escutei a conversa. Me perdoa! – Lucas riu alto – Eu não queria, mas é impossível! Enfim... Ouvi tudinho e você disse que eu já estava na sua e não precisava mais dela para dar o que você quer. Por isso fiquei chateada com você e foi esso aí. Depois desse dia, não nos falamos direito.
- Desculpa. Não era pra você ter escutado né? – riu – Mas, já que escutou, você entendeu errado. Eu disse que você estava na minha mesmo, que estava tudo certo entre a gente. Não precisava mais dela para dar o que eu queria, mas não tinha problema. Enfim... Você pelo menos ouviu quando eu disse que te amava?
- Ouvi. Mas não pensei nisso na hora. Vamos apagar isso. Ah e teve a festa do Gus que você ficou com várias na minha frente e ainda queria usar o meu quarto? – rimos.
- Fiz isso por que vi você com o JP e achei que vocês iam ficar pra me colocar ciúmes. Fiz o trabalho primeiro pra ver se você faria depois e não fez. Senti culpado no final da festa e queria conversar com você, e o que aconteceu? Me deu um bolo. Passamos um tempo sem se falar e eu descubro que você ficou com o JP. E nem quero saber sobre o assunto. Briguei com o JP, mas voltamos a nos falar, foi mancada minha brigar com o cara.
- Tudo bem então. Enfim Lucas, acho que nós dois fizemos besteiras, por isso nunca vamos dar certo juntos. Você sabe. Eu te... Eu gosto muito de você, e quero que sejamos grandes amigos. Sinto falta de você, sinto falta da Isabela, do Gabriel, de todos nós juntos. Melhores amigos.
- Se você deixar, a gente pode consertar tudo. Esquecer todo o passado.
- Não sei. Quero só a sua amizade – sorri.
- Ok. Não quero brigar novamente com você, te entendo um pouco. Amigos... – sorriu fraco e nos abraçamos por um bom tempo.

Decidi ir embora e nos cumprimentamos com um beijo que o Lucas deu de surpresa, e cada um foi pro seu canto. Estava muito feliz que nada vai me abalar. Eu ligava pro Lucas todos os dias, ele me ligava também e a gente conversava, ria muito.
Fui me matricular com a vovó e encontrei a Carol com sua mãe. Vou ser sincera, elas são lindas mesmo. A Carol puxou a mãe em tudo. Até nesse jeito dela, pois a mãe dela também é uma víbora.

- Mãe, essa é a Malu, a ex do Thi – Carol disse.
- Ai que linda! Tudo bem, Malu? – a mãe da Carol sorriu.
- Tudo sim... – sorri fraco.
- A minha filha também namorou o Thiago. Ele é uma ótima pessoa, não é? Mas parece que vão voltar de novo, tinham se visto essa semana antes dele voltar para São Paulo. Se tudo der certo ele volta para ficar com a Carol! – sorriu.
- Legal – sorri cinicamente.
- Isso é muito bom! Vamos ser colegas! - Carol disse e me abraçou -. Vou amar ter você em sala novamente, Malu. Vamos, mãe!

***
Hoje é o último dia das minhas férias e o Thiago não me ligou para dizer se ele ia voltar ou não. Não sei se ele quer fazer surpresa, mas eu odeio isso. A última surpresa que ele me fez, não foi legal.
Acordei com uma vontade de voltar a dormir. Quando estudava no Green, eu amava acordar para ir ao colégio. Sempre disposta, pois amava estudar lá e ser praticamente o centro das atenções junto com meus amigos, claro. Éramos os populares do colégio. Na verdade, eles ainda são, menos eu, claro. Ainda tenho o pessoal do colégio que fala comigo pelo Facebook, puxando meu saco.
Passei na casa da Camila e fomos juntas até o colégio. Falei com os amigos do Thiago e perguntei se eles sabiam sobre a sua volta, mas disseram que não. Nem a sua avó, Dona Dalva, soube me dizer. Aí tem coisa, por que ela é da família, tem que saber! Tinha dois alunos novos na sala. Eu e a Camila decidimos falar com os dois para fazer amizade logo antes que a Carol se jogue. Mas, foi em vão. Ela chegou logo e a gente só espiando a Carol e suas seguidores se jogando para os dois.

- Oi meninos! – Carol sorriu – São novos?
- Claro que são novos, né Carol?! Viu eles por aqui ano passado? – Jéssica disse.
- Afe! Cala a boca, Jéssica! Não pedi sua opinião. Então, meninos... Não liga pra ela não! Me conta... Qual o nome de vocês? E a idade? – sorriu.
- Oi – riu –. Sou o Igor, tenho 16.
- Vinícius, 16 também.
- Prazer pros dois. – sorriu – Ó, se quiser sentar conosco lá no fundo pode ir, ok? Na frente só sentam as chatas e os nerds – Carol disse a Camila quis levantar para começar uma discussão com a Carol. Ela ama um barraco. Mas eu não deixei. Queria ver se esses meninos são mesmo da laia da Carol.
- Obrigado, eu gosto de sentar na frente – Vinícius disse.
- Eu também... – Igor disse – Mas obrigado, Carol – sorriu.
- Sem problemas. Pelo menos na frente agora sentam pessoas mais legais! – riu – Estou lá no fundo, qualquer dúvida fala comigo – ela enfatizou a palavra comigo, e olhou para nós. A Camila já estava pegando ar -, que eu conheço toda a escola e posso ajudar vocês – sorriu e soltou um beijo, indo para sua cadeira, com as “amigas”.

Eu e a Camila demos muita risada depois que ela saiu de lá. O que fez os meninos rirem também, e sentaram conosco em um trabalho em grupo que teve.
Eu e a Camila mostramos o colégio todo, contamos que entramos no meio do ano e falamos sobre a Carol. Sim, eu queria que eles não fossem amigos dela. Eles já tinham sacado isso e nós rimos.
Voltamos pra sala, tivemos as ultimas aulas do dia e quando eu e a Camila estávamos indo embora o carro da mãe do Thiago estava parado na porta do colégio. Eu reconheci, pois, quando ela veio aqui o Thiago me mostrou e tem um adesivo do Flamengo atrás. Parei a Camila e pedi para que voltássemos. Precisava ver se o Thiago estava aqui com a sua mãe. Talvez, estavam se matriculando. Ou não... Quando vimos, só estava ela na secretaria.

- Dona Sônia. – sorri.
- Dona, Maluzinha? Não, né... – riu – Tudo bem?
- Tudo bem... E o Thiago, cadê?
- Ele ficou em São Paulo.
- Veio matriculá-lo novamente? - perguntei.
- Ahm... Ah, Malu... Eu... – ela parecia meio confusa, talvez não queria dizer, e a peguei desprevenida. A Camila dava muita risada.
- O que foi Camila?! – perguntei.
- Nada... – Camila riu.
- Dona Sônia, a lista dos livros está aqui. Como ele já estudou aqui ano passado, tem alguns livros, então a senhora só compra os que estão marcados de verde. E assina aqui em baixo, por favor – a secretária disse.
- Droga! – a mãe do Thiago disse e Camila riu mais alto ainda.
- Alguém pode me explicar? – perguntei confusa.
- Você é muito burra, Malu – Camila disse rindo.
- Por quê?
- A Betty acabou de entregar de bandeja para você sobre o Thiago! – Camila disse.
- Malu, eu vou lhe contar... Ele queria lhe fazer uma surpresa. Conseguimos comprar a casa que eu lhe falei, só faltava mesmo resolver o assunto no nosso trabalho, e graças a Deus, conseguimos uma boa proposta aqui, por isso vim matricular logo o Thiago. – Sônia disse.
- Entendi... – ri – Só eu não sabia? – perguntei e elas assentiram com a cabeça -. Que dia ele vem?
- Me desculpa, Malu, mas não vou dizer o dia. Já estraguei a surpresa do meu filho, não quero piorar – riu -. Garanto que não demora de vim. Tenho que ir, ok? Beijos.

Cheguei em casa e contei a todo mundo. Sou fofoqueira mesmo. Liguei para a Isabela e contei a ela, mas disse coisas absurdas para mim e acabamos brigando. Mandei uma mensagem para ela novamente e nos desculpamos.
Depois de não ter mais nada para fazer, recebi uma ligação do Thiago. Fiquei muito feliz e atendi correndo. Talvez ele já tenha chegado.

- Ai meu Deus, você já chegou?! Vem aqui agora! Você foi muito cruel...
- Calma pequena! – riu - não cheguei. Nem sei se vou mais.
- Não vou acreditar. Encontrei sua mãe no colégio – ri alto.
- Droga! – riu – Ok... Eu vou, mas ainda não sei o dia. A gente está descarregando algumas coisas da casa e depois, quando trabalho liberar, compramos a passagem. Mas lhe garanto, é nesse mês. Espero que tudo dê certo. Não é por que minha mãe me matriculou que vou voltar.
- AH, para! Vai dar certo. Você vai voltar pra m... Pra casa – ri e ouvi o Thiago rindo baixo do outro lado da linha -. Então... Vou desligar Thi, tenho que terminar um trabalho.
- Primeiro dia de aula e já tem trabalho?
- É – ri -. Mas não é pra agora, é só mês que vem. A professora só decidiu como vai ser. Mas eu e a Camila já começamos a criar. Vai ser o melhor de todo o colégio! – Thiago riu alto -. Bom, vou indo. Te amo, beijos.
A semana na aula foi bem divertida. Gostei desse ano e dos professores. Me acostumei com o colégio e com a minha vida aqui, que foi bem rápida por sinal. O Lucas tinha me ligado hoje para irmos ao cinema. Estamos mesmo nos dando muito bem, e fico muito feliz com as coisas boas que estão acontecendo no começo do ano.
Enquanto tomava banho, pensei em várias coisas, desde o acidente dos meus pais que eu presenciei, até o momento agora. Fiquei mais de uma hora debaixo do chuveiro quente. Sim, verão, mas eu tomo banho quente. A vovó criando “dois filhos” agora deveria comprar uma casa maior, creio que o Gustavo sente necessidade de ter um quarto só para ele, por isso, após o banho, conversarei seriamente com a vovó.

- Papo em família! – gritei enquanto descia lindamente as escadas. Pronta para ir ao cinema com o Lucas.
- Adoro! – Gustavo chegou com uma pipoca e um copo de refrigerante.
- Vó... A senhora deveria comprar uma casa nova. Eu ajudo, sabe que eu tenho o dinheiro dos meus pais e tudo o mais. Sabe que a senhora está com mais gente em casa, não é? Precisa de um quarto para o Gustavo e... Enfim, a senhora me entende.
- Enfim a Malu com uma conversa de gente grande... A senhora deveria pensar nisso vovó – riram e eu dei um tapinha na testa do Gustavo.
- Realmente, você tem razão sim. Mas aqui é perto de tudo, minha linda... Mercado, Igreja, casa da Dalva... E não sei onde tem uma casa com três quartos a venda. Vou dar uma olhada, ok? Pensarei bem no assunto – sorriu e nos abraçamos.

O Lucas me ligou e peguei um ônibus para ir ao shopping. Dessa vez ele não pode vim me buscar, uma pena.

- Bu! – tentei dar um susto no Lucas, que estava sentado na praça de alimentação tomando um Milk Shake.
- Opa! Demorou cara! Fiquei horas aqui te esperando! Tive que tomar algo por que não agüentei mais! – Lucas disse fingindo indignação.
- Mas você me ligou não tem nem cinco minutos! Peguei o ônibus correndo!
- Brincadeira gatinha! – riu – Não acredito... Você pegou ônibus? – Gustavo riu tão alto que as pessoas que sentavam nas mesas do lado olharam para nós.
- Idiota! Foi o jeito... – dei língua.
- Não vou nem dizer o que acontece com quem dá língua... – rimos – Então, vamos logo? Comprei os ingressos.

Depois de ver o filme, que foi muito engraçado por sinal, fomos dar uma voltinha pelo shopping. A última vez que fui ao shopping com o Lucas, a gente namorava e foi inclusive no dia dos namorados, quando viemos comprar nossos presentes. Inclusive, passamos pela loja onde comprei seu presente.

- Vem, vamos entrar aqui! – puxei o Lucas para a loja.
- Vai comprar algo pra mim? – Lucas riu.
- Não sei... Quero ver uma coisa aqui.

Dei uma voltinha pela loja e encontrei os presentes que tinha dado ao Lucas.

- Isso foi tão caro... – ri lembrando-se da fortuna que paguei pelos presentes.
- Ainda tenho a caixa com as coisas – sorriu – mas o perfume acabou e eu não guardo frascos. Mas pra te falar a verdade, terminou tem pouco tempo. Foi triste quando acabou, era uma das coisas que me fazia pensar em você. Inclusive, no meu aniversário estava com ele.
- AH... Bom saber – ri sem graça -. Vamos sair daqui. Não posso mais entrar nessas lojas caras – rimos.

Passamos também na loja em que ele comprou meu presente, por que eu tinha visto um urso muito lindo. E eu amo ursos.

- Lucas! Olha que urso lindo! – gritei.
- Você quer?
- Ahm... Não precisa – ri sem graça -. Deve ser muito caro.
- Desencana, gatinha! Se você quer, eu vou lhe dar. Vem!
- Embalar? – a mulher do caixa disse sorrindo.
- Embalar um bicho grande desses? – riram.
- Digo... Colocar em um saco – riu.
- Não precisa moça. A gente leva na mão. Estamos mesmo indo embora, não é Luc?
- Você me chamou de quê? – Lucas perguntou rindo.
- Não vou repetir – ri sem graça -. Vamos, Lucas! Obrigada, moça.

Como o urso era muito grande, fica meio impossível eu segurá-lo sozinha, então o Lucas me ajudou a levar o urso. Estávamos parecendo um casal. As pessoas do shopping nos olhavam e davam sorrisinhos ou cochichava sobre nós com as amigas. Sim, eu ouvi um grupinho falando o quanto éramos fofos. Não sabem de nada...

- Há tempos esperava por isso, sabia? Foi muito bom – sorriu.
- Foi muito legal o enc... Digo... O passeio – sorri sem graça.
- Pode chamar de encontro se quiser. Eu quero recomeçar contigo, Malu.
- Somos amigos, Lucas. Eu já lhe disse isso, não quero brigar com você.
- Eu sei. Mas não foi assim que nos apaixonamos? Éramos amigos e depois namorados. Estamos recomeçando – sorriu.
- Ta... Faz sentido – ri -, mas mesmo assim. Não crie esperanças, eu tenho...
- Namorado? Acho que não – Lucas riu alto.
- Ah... Mas não crie esperanças mesmo assim. O Thiago... AH, Lucas... Não quero começar a falar disso, a gente pode brigar.

Nos despedimos e entrei em casa com um sorriso típico de uma boba. Claro que o Gustavo começou a falar as asneiras dele.

- Deve ter pedido em namoro e deu esse ursinho pra ela. Que fofo. – veio e apertou minhas bochechas. Idiota.
- Nem foi. Vimos um filme e passeamos pelo shopping.
- E o urso? – vovó perguntou.
- Ah... O urso?
- Sim, o urso... – Gustavo disse rindo.
- Eu vi o urso na loja, gostei e ele comprou pra mim – disse o obvio.
- Isso já é um avanço, Malu. Mas cuidado, você ainda tem o Thiago e o JP. Não pode deixar o Lucas esperançoso.
- Cala a boca, Gustavo! Foi um presente amigável! Somos amigos! E o JP não é nada meu além de amigo. A gente só se beijou uma vez! Foi um selinho praticamente e o Thiago... Ahm... Se ele voltar mesmo como diz, a gente vai namorar e pronto.
***


O JP me chamando pra ir até a sorveteria. Sempre lá. O que tem tanto nesse lugar, meu Deus? Eu aceitei claro. Fomos até a sorveteria, ele pagou tudo pra mim, engordei, conversamos e rimos muito. Depois ele me trouxe em casa. Mas adivinha quem passava quando ele estava vindo comigo? Sim, o Lucas. Eu sei que ele é meio encrenqueiro como no dia do Thiago. Mas milagre ele se conteve. Acho que é pra não rolar briga entre nós. Ta tudo ótimo entre nós.

- Olha quem encontro... – Lucas aparecendo rindo – Onde estavam?
- Tomando um sorvetinho. Nesse calor tem que aproveitar. – JP riu.
- É verdade. O calor ta demais! Ahm... Malu, estava indo ver você, mas deixo pra depois.
- Eu já estava indo mesmo, só estava me despedindo do JP. Se quiser vim comigo...
- Sua avó não gosta muito de mim...
- Você não estava indo justamente em minha casa?
- Estava, mas eu ia te ligar e você ia aparecer na porta pra gente dar uma volta ou até tomar um sorvete, mas... – riu fraco. JP ficou muito sem graça. Eu também.
-Ahm... Eu já vou. Malu, a gente se vê, te ligo mais tarde. Lucas, até o colégio – nos cumprimentamos com um beijo demorado no rosto, o que deixou o Lucas furisoso.
- Vamos dar uma volta, então? – disse ao Lucas.
- Quer ir ao Green?
- Pode ser.
- Seus melhores amigos saíram... Quer ir mesmo assim?
- Lucas! Para com isso! – ri.
- Hoje a piscina está vazia e o salão de jogos. Meus lugares prediletos. Eu amava quando ficava vazio. Lembra?
- Ô se lembro – riu –. Lembro quando só tínhamos nós dois e a Isa na piscina, brincando de pega-pega. Tempo que não volta...
- Volta sim, Lucas! Não nos afastamos. Quer dizer... No começo por que você... Enfim, somos amigos ainda. Pena que não trouxe biquíni – fiz bico.
- Tudo bem. Outro dia você se prepara pra piscina. Por que eu não tenho biquíni pra você. – rimos – Vem, vamos pra minha casa.
- E... E seus pais?
- Só à noite. Mas somos amigos, não vamos fazer nada demais! Não tenha medo, não vou lhe agarrar – riu.

A última vez que entrei em sua casa foi quando fui pedir desculpas pela barbaridade que disse no aniversário dele. Ou seja, faz muito tempo.
- Não mudou nadinha sua casa.
- Lembra-se do “nosso sofá”? É o mesmo.
- Tempo bom. – ri.
- Se você quiser a gente pode relembrar...
- Lucas, Lucas... – ri.

Cada vez que ria, ele chegava mais perto de mim e eu me afastava. Mas não adiantava. Ele insistiu e me puxou pra perto dele deixando nossos corpos e nossa boca colada uma com a outra.

- E agora? – Lucas disse sorrindo.
- Não sei. O que você quer fazer agora?
- Você sabe o que eu quero. – sorriu.
- Você disse que não ia me agarrar, lembra?
- Costumo mentir – Ai que cínico! Eu sabia que ele ia tentar alguma coisa.
- Da próxima vez não acreditarei mais.
- Tudo bem.
- Já me agarrou. Então pode me soltar agora.
- Não. Ainda não fiz o que eu quero.
- E o...

Por que eu estava perguntando se sabia o que ele queria? Tola. Ele veio, acariciando o meu rosto, passando seu dedo na minha boca e eu já estava dopada. Depois colou mais sua boca na minha e me beijando lentamente. Como já estava dopada, cedi aos seus encantos e deixei rolar. Ele segurava meus quadris e me beijava suavemente, sentindo seus lábios nos meus, sua respiração na minha. Sua mão se apoiou no meu rosto enquanto sua outra mão me abraçava, nossas línguas iam se entrelaçando e depois ele me puxou para o sofá e começou a chupar meu pescoço aos poucos. Sua mão foi vagarosamente entrando por debaixo da minha blusa me fazendo arrepiar ao toque, um arrepio bom, o que fez ele me apertar mais. Fui olhando-o com um olhar desafiador acompanhado de um sorriso inesquecivelmente excitante, o que me faz subir em cima dele rapidamente continuando nosso beijo cheio de fogo e de paixão, apoio parte do meu corpo sob meu braço, suas mãos sobem pelas minhas costas por debaixo da minha camisa, minha mão que estava em seu quadril vai subindo pela lateral de seu corpo acariciando por debaixo da sua blusa, passando de leve meus dedos sentindo sua pele macia, me deito mais sob ele encaixando nossos corpos, sua boca percorre a minha, assim como sua língua que vai passando pelos meus lábios devagar, com uma mão ele segura meu cabelo e o massageia, o que me deixa com mais vontade de tê-lo. Aperto mais meu corpo contra o dele acariciando suas costas. Quando o que já estava quente ia esquentar mais...

- Somos amigos – disse ofegante ao Lucas.
- Amigos com benefícios, que tal? – Lucas riu ofegante também.
- Não...
- E por quê?
- Lucas, por favor... Não quero ficar falando disso. Não quero brigar.
- Você gosta do Thiago. Eu sei Malu.
- Ta, mas eu gosto de você também!
- Certo.
- Eu... Acho melhor ir embora... – falei levantando do sofá e desamassando minha roupa – Amanhã a gente se vê?
- Pode ser. Me desculpa.

Dei um sorriso fraco e ele se levantou dizendo que iria me levar. Aceitei claro. Fomos o caminho todo em silêncio. Despedimos com um abraço e eu entrei em casa meio tristonha. De uma boa noite fraca e subi pro meu quarto. Como já era de se esperar, a família veio atrás pra saber o que eu tinha.

- O que aconteceu meu anjo? Vamos descer pra tomar café! – vovó disse acariciando meus cabelos.
- Demorou demais com JP – Gustavo disse.
- Não enche! Depois eu desço vovó.
- Agora Malu! Passou o dia todo fora, a gente precisa conversar!
- Tudo bem! – falei emburrada.
- Que eu saiba a sorveteria fecha as cinco – Gustavo mais uma vez sendo chato.
- Vai tomar no cu, Gustavo! Por favor! – gritei.
- Olha o nome Malu! – vovó gritou. Ela não gosta que eu xingue.

Descemos a escada e o Gustavo só ria. É um idiota mesmo, viu? Fomos o delicioso café da vovó.

- Conte qual é dessa cara – vovó perguntou.
- Sai da sorveteria, vindo pra casa e encontrei o Lucas.
- Rolou briga. Aposto – Gustavo disse.
- Já mandei você se fu...
- Malu, para! – vovó gritou e o Gustavo riu alto.
- Desculpa. Então, vovó... Encontrei o Lucas e fomos pro Green. Mas não tinha ninguém lá da galera e ficamos na casa dele.
- Vou até me sair pra não falar merda. – Gustavo riu.
- É melhor pra você, Gustavo. Você sabe como é o Lucas, vovó. Foi isso e chega.
- Então quer dizer que você... – vovó ficou boquiaberta e eu ri.
- Não vó! – ri – Mas já estava quase esquentando quando resolvi parar.
- Fez bem. Vou ao mercado comprar umas coisas, quero fazer uma sobremesa gostosa – vovó disse me fazendo sorrir.

Aproveitei que a vovó saiu para tentar contar mais ao Gustavo. Com mais detalhes e calma.

- O Lucas broxou quando eu estraguei o clima. Foi estranho – disse ao Lucas enquanto lavava os pratos.
- É o Thiago que você quer. Não adiantar ficar mais nessa.
- Ah! Mas o Lucas... Eu sinto algo forte por ele porra!
- E por que não transou com ele caramba?!
- Não vou fazer isso! O Lucas é meu amigo!
- E por que amigo?
- Por que... Ah, por que eu não quero namorar agora! Preciso saber dos sentimentos dele. Vai que isso ainda é mais um plano dele pra transar comigo e depois me dar um fora? Nunca se sabe Gustavo. Eu lembro quando ele disse que estou na dele. Mas não é por isso que eu não quero. A amizade dele está sendo muito importante pra mim.
- Desculpas, papo furado. Falou tanta merda só pra não dizer “Não quero por que amo Thiago”.
- Já mandei você tomar no cu hoje não foi? Posso mandar de novo.
- Grossa! O que falei demais? Estou te dando um toque, idiota.
- Desculpa. É que sei lá... Ele me pediu desculpas! Eu não sei o que dizer.
- É difícil admitir no começo, Malu. Vou tomar um banho.

Eu não sei mais o que fazer com o meu coração. Essas coisas assim são muito novas pra mim. Nunca tive fiquei dividida.
Antes de dormir, resolvi ligar para o Lucas, talvez ele tenha ficado chateado comigo.

- Malu? – Lucas disse.
- Tudo bem com você? Liguei pra saber se ficou chateado comigo. Me perdoa...
- Nem fiquei. Só fiquei surpreso. Mas passou – riu baixo.
- Surpreso por quê?
- Estava tudo bem e você para assim do nada, dando desculpinhas baratas. Mas deixa pra lá.
- Tudo bem. Mas me desculpa.
- Ok. Eu vou desligar, to ocupado aqui.
- Tá... Tá fazendo o que?
- Um trabalho aqui na internet pra Mariana. Mas... Antes que fale alguma coisa, a internet dela deu problema, então ela veio pesquisar aqui.
- Ela poderia pedir a alguma amiguinha dela – suspirei.
- Qual problema em pedir pra mim? E o trabalho é meu e dela. Estudamos na mesma sala se não lembra.
- Só perguntei por que...
- Esquece – suspirou –. Fiquei sabendo que o Thiago voltou...
- Voltou?! – falei entusiasmada – Ahm... Quer dizer... Não sabia.
- Foi o que soube. Vou desligar, beijo.
O Thiago voltou! Ele ama me fazer surpresas... Como já era muito tarde, fiquei com receio de ir até lá, mas resolvi ligar para a casa da sua avó. Ele deve está por lá.

- Alô? – Dalva disse com uma voz sonolenta.
- Me desculpa Dona Dalva... Acordei a senhora?
- Não meu anjo... Estava terminando de ver um filme aqui e já estava mesmo indo dormir. O que houve?
- É que... O Thiago ta aí?
- Não. Thiago não vem por agora. Ainda estão resolvendo umas coisas do trabalho e arrumando a nova casa. Por quê? Sonhou que ele tinha chegado? – riu.
- Não... Bom, deixa pra lá então. Boa noite.

Lucas mentiu, ou a Dalva? Claro que a Dalva não mentiria. E o Lucas... Ele não ia falar uma coisa dessas. Acho que tudo que ele mais quer é que o Thiago não fique aqui para poder ter mais chances comigo. Ou seja, alguém contou pra ele, quer dizer, mentiu pra ele. E quem poderia ser? A Carol. A única.

***


Sempre entro na sala com a sensação de que o Thiago vai estar lá, mas isso nunca acontece.
Fevereiro é o mês mais curto e eu adoro isso! O ruim é a semana de testes que começam no colégio. Sei que sou inteligente, tiro notas boas, pois a onde estudava era mais complicado, então tiro de letra os assuntos do meu novo colégio. Tranquei o quarto e fiquei solitária para tentar estudar para história. A única matéria em que eu sempre me dou mal, quando recebi uma ligação. Número esquisito. Não tinha na minha agenda, o que é estranho, eu sempre anoto o número de todos que conheço.



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